segunda-feira, 16 de março de 2009

CUMPLICIDADE...


"Abre os teus armários, eu estou a te esperar para ver deitar o sol sobre os teus braços castos. Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar e fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar...
canta o teu encanto que é pra me encantar... canta para mim, qualquer coisa assim sobre você!!! Que explique a minha paz... tristeza nunca mais!

Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão,
nessa espera o mundo gira em linhas tortas. Abre essa janela, a primavera quer entrar pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar...
canto e toco um tanto que é pra te encantar... canto para mim qualquer coisa assim sobre você!!! Que explique a minha paz... tristeza nunca mais...!!!
" (Marcelo Camelo)

Hoje, madrugada cumum do ano presente.


Prezado viajante,

Venho através destas linhas frias trazer notícias um pouco mais quentes. Vou te contar uma história que ouvi recentemente de uma velha feiticeira que habita a minha vila. Por tratar-se de um caso verídico, peço sigilo absoluto sobre o ocorrido. Sei que entenderás.


"Uma mulher e um homem estavam a navegar por mares perigosos, sobreviveram às fortes tormentas e encontraram-se ao acaso, frente a frente, na calmaria de uma primavera.

Latitude e longitude inexistentes, desconheciam em que ponto daquele imenso oceano estavam. A única coisa que eles sabiam era sobre o domínio das próprias embarcações e, por isso, não se arriscavam. Permaneciam trancados com as mãos no próprio leme, fitando-se um ao outro através do vidro reforçado de suas cabines.

Com o passar dos dias, estabeleceram um tipo de comunicação bem particular, uma linguagem única, reconhecendo-se em pequenos gestos, olhares e sorrisos. Criaram novos códigos e assim conviviam, viciados em si mesmos.

E era o tempo passando - o calor do verão chegando.
E era fome. Era a sede. Era o medo dos tubarões que eles nunca tinham visto.

Decidiram, através de um simples olhar, que o melhor a ser feito seria tentar reencontrar o ponto de onde haviam partido, cada qual no seu barco, pois assim sobreviveriam.

Seguiram então, firmes suas rotas tortas... em direção às terras do nunca mais."


Aquela senhora ainda tinha um pouco mais a dizer.

Ao olhar as minhas mãos, falou que em meu caminho surgiria um menino a me chamar, um moço a me tocar e um homem a me olhar, como um felídeo mira a sua presa; que os três se fundiriam em um só, a virar um titã. Este, então, envolto numa bruma com aroma de menta, me embriagaria com as águas claras da Rússia.

Fiquei inicialmente assustada e ela, percebendo meu espanto, completou dizendo que eu não me preocupasse... disse que eu saberia colocar bem os pingos nos seus "is" e, por vezes, também o deixaria sem pernas e palavras. E que sendo assim, assistiríamos o sol nascer a partir das músicas que cantaríamos, boca-a-boca, libertando-nos de nossas próprias armaduras.

Meu caro... sei que ainda temos muitos mares a navegar, mas preciso te dizer uma coisa: sem reconhecer seu cheiro, a partir desse instante, EU ME PROÍBO DE SENTIR A SUA FALTA - e ao mesmo tempo, só desejo que essa distância jamais nos leve para as "terras do nunca mais".

Agora, ao te escrever, compartilho essas confidências e faço de ti meu cúmplice.

Um beijo meu.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O TEMPLO DE BASTET...




"Vamos começar
colocando um ponto final ( pelo menos já é um sinal de que tudo na vida tem fim).

Vamos acordar... hoje tem um sol diferente no céu, gargalhando no seu carrossel, gritando 'nada é tão triste assim!'...

É tudo novo de novo! Vamos nos jogar onde já caímos! Tudo novo de novo! Vamos mergulhar do alto onde subimos!!! Vamos celebrar nossa própria maneira de ser - essa luz que acabou de nascer quando aquela de trás apagou. E vamos terminar inventando uma nova canção, nem que seja uma outra versão pra tentar entender que acabou..."
( Moska)

"Era uma vez..." - não. A partir deste momento, começarei todas as minhas histórias pelo presente... ou como diria o sábio Anitelli: " de ontem em diante serei o que sou no instante agora". Por isso...

...É UMA VEZ!

É uma vez essa tempestade que invade a sala da nova casa. Logo vem a lua cheia no céu, exercendo sua força sobre as marés, os felinos e - como não poderia deixar de ser - sobre mim também.

Ciclos completos e intuição à flor da pele.
Cada vez mais atenta, sinto que estou no lugar certo... na hora certa. Clarividência. Coincidências.

Após três meses, numa terça-feira - 03/03/09 - às 3 da tarde, levanto um vôo bem alto. Algumas horas depois, a imagem de um homem no topo de uma montanha, a esperar por mim de braços abertos. Do aeroporto pra casa, os termômetros da cidade confirmam o calor 30°C. Ao parar, o taxista confirma o valor da corrida, com o desconto prometido pela empresa: " deu trinta e três e trinta e três, moça." ( R$ 33,33!!!!! Ainda bem que tenho uma amiga como testemunha...!)

Faço questão de entrar com o pé direito no meu novo lar... e sou imediatamente recebida pelos representantes de Bastet* nesse templo: Serafim, Dolores e Naomi. Sim... são três.

Tríades à parte, já
posso sentir que serei muito feliz enquanto estiver aqui. Começo a decifrar aos poucos o comportamento dos felinos: a inocência infantil do doce Serafim, o cio enlouquecedor da desconfiada Dolores e a frieza antipática da intocável Naomi. E observando-os, surpreendo-me ao realmente gostar dessa convivência diária.

De fato, me dou muito bem com animais. São sempre uma ótima companhia, mesmo que não entendam muito bem porque estão ali. Da falecida arara "Lala" de Friburgo aos olhos violetas da gata "Ingrid" da Rua dos Oitis. Do vira-lata "Bob" da minha infância à esquila "Maria" da terra do Tio Sam.


Nunca neguei minha preferência pelos cães... talvez por parecerem mais companheiros, menos "egoístas". Aprendem rápido e associam algumas palavras aos limites ou privilégios que eles possam vir a ter. Na verdade, acredito que eles possam suprir melhor a carência humana, qdo parecem retornar o amor que dedicamos ao cuidarmos deles.

Ao mesmo tempo, aprendi a respeitar e entender essa tal individualidade dos gatos.

Naomi, a gata negra, é anti-social ao extremo. Não deixa que ninguém a toque. Não pede carinho. Não mia ( ao menos, nunca vi). Então a deixo no canto dela. De vez em quando ela se aproxima e deita mais perto de mim. E hj ela ficou parada na porta da cozinha me olhando, até que entendi que o que ela queria era que eu servisse seu jantar. Hahahahaha... pois é... psicologia felina... rsrss!

Dolores, como eu disse anteriormente, está no cio. Enlouquecida, rola pelo chão... anda languidamente em direção ao Serafim, com um objetivo explícito em seu caminhar: acasalar. Simples assim. Daí, ela emite grunhidos estranhíssimos e de vez em quando surta, correndo de um lado pro outro da casa, aparentemente sem motivo algum. Tadinha da Dolores... ela só quer "dar" e ficar "de conchinha" depois... só que ela não entende "lhufas" do que tá sentindo!
Observando-a, divirto-me pensando que se o homem veio do macaco, a mulher é apenas uma "gata que pensa"... ( ok, ok... algumas não pensam, eu sei!) Haahahaha...!!! Ai, ai... como é bom ser humana nessas horas... ou não!!! rsrs...

E, por fim... Serafim! Uma criança... deve ter no máximo 5 ou 6 meses e não entende o que Dolores quer. Pra ele é tudo brincadeira. Só que de vez em quando, essa brincadeira fica séria... rsrss... então ele se assusta com a reação produzida pela mocinha "P&B" e fica parado, olhando pra ela, com uma cara de " o que foi que eu te fiz?". Hahahaha... será que daqui a dois meses teremos novos gatinhos por aqui? Esse futuro papai, o pequeno Serafim, é o mais companheiro dos três: me recebe com festa quando chego em casa, me segue, sobe no meu colo... e quando sento pra escrever de madrugada, ele monopoliza o teclado e toma o lugar do "mouse" na mesa.

Pois é... estar aqui, no "Templo de Bastet", me faz querer viver sob um céu mais azul e ter uma vida mais leve. Me faz pensar sobre quem sou eu... e estar mais atenta sobre quem eu quero que esteja ao meu lado enquanto construo meu caminho. Os pré-requisitos básicos para fazer parte dessa "lista vip" são: respeito, confiança e parceria. Ah! Tem que ter bom humor tb... pq " nem só de pão vive o homem", né?

Vou brincar, dançar, cantar... e fazer da minha vida um banquete para ser celebrado com amor, felicidade e prazer!!!!

Diariamente.

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* PS: Bastet é a "Deusa gata" de Bubastis ( cidade do Delta do Nilo - Antigo Egito). Deusa da música e da dança, protetora dos gatos, guardiã das casas e defensora dos seus fihos.



terça-feira, 3 de março de 2009

TUDO NOVO DE NOVO



"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.


Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessario, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.


Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu pra viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?


Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na sua vida, serem subitamente transformadas em pó.


Mas tal atitude será um desgaste imenso pra todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.


Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.


Por isso é tão importante ( por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é manifestação do invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará envenenando e nada mais.


Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data pra começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.


Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era e transforme-se em quem é." ( Paulo Coelho)



Espero a chegada da nova era.   

Respiro... enfim.

Não quero mais aquela quimera.

Celebro... por mim.

Leveza. Alvorada. Desejo. Música. Encontro. Alívio. Espelho.

A nova casa. O novo quarto. De novo.

O amanhã a mim pertence... hoje.

Fidelidade. 

Felicidade.

Fim.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cinzas

"Todo dia um ninguém josé acorda já deitado. Todo dia, ainda de pé, o zé dorme acordado.  Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia. Toda trilha é andada com fé de quem crê no ditado de que o dia insiste em nascer... mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo! 
 Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada. Toda bossa é nova e você não liga se é usada. Todo o carnaval tem seu fim... todo o carnaval tem seu fim... e é o fim... e é o fim.
 Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz! 
 Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco? Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco. Toda escolha é feita por quem acorda já deitado. Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado e pinta o estandarte de azul... e põe suas estrelas no azul... pra que mudar? 
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz..." (Marcelo Camelo)
...
...
...
... e exatamente porque não sei por onde começar é que digo: 
- "It's over, baby"!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Passifloraceae...


“Beijo a flor, mas a flor que eu desejo eu não posso beijar... ai, amor... haja fogo, haja guerra, haja guerra, o que há... teu cheiro é o marinheiro do barco fantasma que vai me levar mundo inteiro... haja fogo, haja guerra, haja guerra, o que há: teu cheiro!” (Pepeu Gomes)



Guache e aquarela nas paredes dos pequenos artistas.  

Patchuli e rosas das mãos da velha senhora.

Aroma de cacau torrado dos verões em Ilhéus.

 

O mar da primeira prancha.

O hálito do primeiro beijo.

O vinho da primeira vez.

O suor do primeiro sexo.

O elixir do primeiro bêbado.

O fumo do primeiro louco.

O ar da primeira viagem.

O doce do primeiro amante.

O orvalho da primeira manhã.

O perfume do primeiro amor.

 

Bússola sem norte que acalma... a alma.

 

Canela.

Chocolate.

Baunilha.

Avelã.


Aquela camisa.

Meu travesseiro.

Sinto.
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*PS: imagem - flor de maracujá ( passiflora edulis)
 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Essência...

"Se a música é o alimento do amor, toque." (Shakespeare)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Absolutely adorable...



"Não quero "tentar" ser feliz
Eu quero o amor pronto
É por isso que antes de amar eu quero amizade.
Verdadeira.
Não quero alguém que não tenha passado pelas minhas desaventuras.
Eu já fui tudo nessa vida: anjo, demônio, mocinho, bandido, príncipe e carrasco.
Agora eu quero viver. E nada de zerar o cronômetro.
Eu quero começar é daqui mesmo, com muito ou pouco mas com o que tenho.
Quero alguém que não tenha exatamente o que me falta.
Pra apanharmos juntos do mundo.
Não quero ensinar mais nada.
Sozinho.
Quero começar amando e ganhando de 3x0
E não o 0x0 onde todo mundo erra.
Mesmas besteiras, mesmas bobagens, babaquices, ciúmes, tolices, desconfianças, incompatibilidade...
Não quero começar com os mesmos joguinhos e brincadeiras que já se foram.
Não quero amar como quem tem os dias contados
Odeio sofreguidão pelo que nem existe ainda
Eu quero um amor lento
Nascendo devagar... como toda arvore centenária que não nasce da noite pro dia.
...e com raízes profundas e firmes.
Que não se vá com o primeiro vento de tempestade.
Entenda tempestade como quiser.
Eu quero um amor certinho, ameno, divino
Um relógio.
Um robô.
Porque eu sobrevivi aos 30.
E não tenho mais pressa de amar"
( M. P.)

Noite de sábado... ponto com... ponto bê-érre.


No meio de mais de 20 milhões brasileiros, um ganha destaque aos meus olhos: canceriano, nordestino, solteiro, louco por futebol e pai apaixonado. Um homem que, de repente, entre um cigarro e outro, trouxe o coração às mãos e deixou que delas brotassem palavras que me fizeram pensar muito... e que, portanto, inspiram minha escrita neste momento.


Um dia alguém disse que os “homens são de Marte e as mulheres são de Vênus”. No momento em que isso aconteceu, jogaram-nos todos num balaio de vime, separados por uma placa de aço intransponível... e dividiram–nos por gêneros! Ou seja: todos os homens são iguais, todas as mulheres também e a principal causa do desentendimento dos casais é que o masculino e o feminino, definitivamente, são diferentes... e não falam a mesma língua!


A solução para isso é apenas uma: a integração dentro de cada indivíduo – independente de sua classificação de gênero - da razão (essencialmente masculina) com a intuição ( essencialmente feminina), da sensação ( masc.) com o sentimento( fem.), da objetividade com a subjetividade... enfim! E a partir desse equilíbrio interno, saber também reconhecer no outro suas necessidades primordiais e respeitá-las.


Há um bom tempo atrás, os homens se escondiam para lidar com suas características internas relacionadas ao comportamento feminino. E para as mulheres também era vergonhoso assumir atividades de caráter masculino, a partir de sua lógica.


Porém os tempos mudaram. Estamos em pleno século XXI e, enquanto as mulheres começaram a ganhar espaços maiores em setores mais representativos da sociedade, aprendemos a respeitar as lágrimas de um homem, afinal... “os brutos também amam”! 


Então porque - mesmo com toda consciência teórica sobre o assunto - eu me sinto tão tocada ao ver um homem expor seu coração dessa forma? A resposta mais rasa que provavelmente eu daria, sem pensar muito, é que sou apenas uma “romântica inverterada”. Não. Não é isso.


A verdade é que eu me emociono profundamente com o ser-humano, principalmente quando o percebo assim inteiro... dono de si... com toda sua razão e emoção à flor da pele, independente de gênero, “número e grau”.


Concluindo, segue aqui um recado pro meu mais novo amigo ( e também a quem mais possa interessar): fique tranquilo, o que é seu tá guardado...!!! Com certeza existe uma pessoa por aí, tão pronta quanto você, afim de viver essa forma de amor: SUBLIME! E então, esse dois “inteiros” quando se encontrarem... serão dois! INTEIROS!!! ( mesmo que a soma pareça resultar numa coisa só).


E tenho dito.


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* não sei onde foram feitas as imagens do vídeo acima... de toda forma, em 2006, conheci pessoalmente "Eusébia e Eustáquio" - o casal de lontras do Oceanário de Lisboa (PT). É o amoooorrrrr...!!!!!! :-)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Paulista "sangue bom"...


Onde Doar

Local:

Unidade Morumbi - 4º Andar, Bloco A

Horário:

Segunda a sexta-feira das 8:00 às 19:00 horas
Sábados das 8:00 às 17horas
Exceto feriados.
Estacionamento gratuito.

Fone: (11) 3747-1233

Fax: (11) 3747-0446

Email: bsangue@einstein.br



O que é preciso:


  • Idade entre 18 e 60 anos
  • Peso mínimo de 50 kg
  • Boas condições de saúde
  • Estar alimentado
  • Dormir pelo menos seis horas na última noite
  • Documento de identificação (R.G. ou equivalente)
  • Não ingerir bebida alcoólica nas últimas 12 horas
  • Respeitar o intervalo para doações: 60 dias para homens e 90 para mulheres

Não podem doar sangue:
  • Grávidas (a mulher deve esperar três meses depois do parto normal; em caso de cesariana, o intervalo aumenta para seis meses)
  • Quem teve doença de Chagas ou malária
  • Quem teve hepatite após 10 anos
  • Quem tem comportamento de risco para a aids (relações homessexuais, ou bissexuais, múltiplos parceiros, hábitos promíscuos, usar ou ter parceiros usuários de drogas ou tóxicos)
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* O Palhaço Comendador Nelson ( Nando Bolognesi) faz parte do grupo "Doutores da Alegria" desde 2001 e é palhaço-atleta do "Jogando no Quintal"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Foto Antiga


"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. (...)

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face, teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu porque eu fui o grande íntimo da noite.(...)

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos, mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas... serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."

( "Ausência" - Vinícius de Moraes)



Quando tudo era sépia, era inconstante.

Poema de Florbela Espanca cravado em meu peito.

Um amor a mentir, fugindo.

E o sol a se por. Todo dia.


Quando tudo era sépia, era esquecimento.

Céu de Londres no exílio do fundo do meu coração.

Via o sol a nascer, queimando.

E outro amor a chegar. Outro dia.


Quando tudo era sépia, era dor.

Canção de Maysa na rádio da minha cabeça.

O meu mundo a girar, caindo.

E eu crescendo a sofrer. Mais um dia.


Quando tudo era sépia, era antes.

Era ontem. Era.*

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* by me ( 2006)



domingo, 8 de fevereiro de 2009

Unfocused blues...


"O seu olhar lá fora, o seu olhar no céu... o seu olhar demora, o seu olhar no meu... o seu olhar, seu olhar melhora... melhora o meu." ( Arnaldo Antunes)

Seu olhar mudou esta manhã.

Tem um quê de não sei bem o que...

Vou te dar as férias necessárias.

Esconder espaços descobertos.

Reduzir o numero de planetas do sistema solar.

Pois tudo gira. Tudo é foco.

Desfoque tonto.


Sua voz mudou esta manhã.

Tem um som de não sei bem qual foi...

Vou deixar as rédeas imaginárias.

Correr por campos e desertos.

Resistir às leis e ao controle da força lunar.

Pois tudo é imã. Tudo é toque.

Desfoco. Tonta.*

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*by me.( 2006)



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Se alguém perguntar por mim...

"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo." (Caio Fernando Abreu)

… pode dizer que fui por aí, levando duas malas e um violão embaixo do braço.


Eu saí pra estrada e são muitos os lugares pra ir (quero matar a vontade enquanto tenho saúde e idade). Preciso saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina... preciso aprender inglês. Preciso me ver de perto e ouvir aquela canção do Roberto. Preciso saber de mim.


Eu sou cigana. Vou andando sem pensar em voltar. Um dia eu volto, quem sabe? Tudo bem, meu bem... só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão. Conheço a dor e a delícia de ser o que sou. Respiro o prazer de ser quem eu sou. De estar onde estou. E ainda falta tanta coisa...! Por isso, se alguém perguntar, pode dizer que sim. Eu volto sim... mas só depois que eu matar essa saudade que venho sentindo de mim.


Viver, cantar, morrer, nascer... já sei do inferno das paixões. Já cheguei, já parti. Já não paro mais em qualquer esquina, nem entro em qualquer botequim. Não quero seguir definhando sol a sol. Já sei tanto e é claro que não sei de nada.


Quando eu choro é uma enchente. Quando eu amo, devoro todo o meu coração (odeio e adoro numa mesma oração). Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda: quando eu canto, quem não for meu irmão que se cuide! Eu sou assim: canto pra me mostrar. Faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã.


Eu estou por aí... meu sonho é ser imortal. Sou o recôncavo e o reconvexo, o avesso do avesso, a luz das estrelas, a sereia que dança, mutante... dona do dom que Deus me deu, dos meus ideais... mas se me der na telha sou capaz de enlouquecer e mandar tudo pr’aquele lugar! Aaaahhh... dentro de mim mora um anjo à la Sarita Montiél!!! E até que me provem o contrário, acredito em tudo... e nunca duvido da fé!


Não tenho medo. Celebro a chegada no eterno começo.


(*R.)

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* Texto criado por mim, a partir de algumas pérolas da mais pura música popular brasileira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Odó Iyá...!



“Contam que toda tristeza que tem na Bahia nasceu de uns olhos morenos molhados de mar. Não sei se é conto de areia ou se é fantasia, que a luz da candeia alumia pra gente contar.


Um dia morena enfeitada de rosas e rendas abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar. A noite emprestou as estrelas bordadas de prata... e as águas de Amaralina eram gotas de luar...” (Conto de Areia – Romildo Bastos e Toninho)



Tudo começou em 1924, há 85 anos, um ano bem difícil pra quem sobrevivia do que o mar oferecia... e no desespero, minha gente, o melhor negócio é partir pro lado da fé! Por isso, os pescadores - ligados ao candomblé - fizeram uma promessa à Rainha das Àguas, protetora dos navegantes. Em “troca”, os peixes voltaram a aparecer. Bom... promessa é dívida, né? Desde então, todos os anos, eles levam suas oferendas à praia em sua homenagem.


Com o passar do tempo, mais gente foi chegando... devotos, ateus, católicos, curiosos, umbandistas, turistas... e sem qualificar a origem, classe ou crença, hoje o Rio Vermelho (bairro boêmio da cidade onde se localiza a colônia de pescadores) recebe desde cedo milhares de pessoas para uma das festas de maior expressão da cultura popular da Bahia: o dia de Iemanjá.


“Mãe cujos filhos são peixes”. É o que significa Iemanjá (“yeyé omo ejá”). Rainha, Princesa ou Sereia do Mar. Inaê, Mucunã, Janaína... seja lá qual for seu nome, ele está diretamente conectado à energia das águas, principalmente as salgadas ( reza a lenda que Iemanjá chorou por seus filhos que partiram, e que o mar é salgado por suas lágrimas).


Aí, vc que está lendo isso agora e não tem a menor intimidade com o assunto, pode estar se perguntando: “afinal, que fascínio é esse ela exerce sobre tanta gente? Que ligação é essa com o mar, os rituais de passagem de ano, pular as sete ondas, oferecer flores e balaios com alfazema, presentes e espelhos?”.


Vou tentar explicar, ta?


Desde os primórdios da humanidade, sempre houve a necessidade da compreensão dos fenômenos da natureza. Através da interpretação da arte rupestre, percebemos que o que não se explicava era retratado nas paredes ( já que eles não sabiam escrever). Na Idade antiga, os egípcios e os gregos personificavam seus deuses, relacionando as forças naturais aos arquétipos da personalidade humana, com seus méritos e suas falhas. O tempo foi passando. Os celtas e druidas tinham sua magia , seu deus e sua deusa. O cristianismo tinha seu Deus único, o grande Pai, o Criador... fundamento primordial da igreja católica. E paralelo a tudo isso estavam as religiões indígenas, dentro das quais as africanas se incluem. Hmmm... já entendeu?


Ok. Imagine agora o Brasil, desse “tamanhão”, com um povo sendo formado pela mistura de raças e crenças que se deu com a chegada dos portugueses, holandeses e africanos... e judeus... e alemães... e orientais... e italianos... e... e... e... ( ufa!). Todos falando a mesma língua e respeitando-se mutuamente, mesmo que não concordem com visões religiosas que não sejam as próprias. E vou além: uma das coisas mais lindas da Bahia é o sincretismo. Além do respeito, todos sabem que estão celebrando a mesma qualidade de energia, só que estabelecem nomes diferentes pra isso. Simples assim.


Por coincidência, estou em Salvador. Acordei relativamente cedo, ao som da chuva forte dessa manhã e pensei: “hmmm... com chuva, não dá pra ir...”. Aproveitei pra ficar mais um tempo na cama, fazer meu daimoku, brincar com meu afilhado e resolver coisas pendentes. A chuva passou e um tempo depois o sol apareceu com toda força, trazendo um calor insuportável de mais de 30 graus. Mas já era quase meio-dia, e ficar torrando embaixo do sol, no meio de 300 mil pessoas, realmente não estava nos meus planos. Ainda mais quando fiquei sabendo que, ao lado dos ogãs com seu batuque, ia ter um trio-elétrico com banda de axé, pagode e sei-lá-mais-o-que!!!*² É... não tem jeito, não... toda celebração vira “bagaceira” por aqui. Qualquer coisa é motivo pra “enfiar o pé na jaca”!*²


“... sagrado e profano o baiano é carnaval...”


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* Depoimento de Tico Santa Cruz, vocalista da banda “Detonautas”, a respeito do seu contato breve, porém íntimo, com o jeto de ser mais puro do povo baiano: http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=288&postId=14095&permalink=true


*² Sim, nasci em Salvador. Mas como toda regra tem exceção, essa é uma delas. E mais: detesto pimenta! (Pronto. Falei.)