sábado, 31 de janeiro de 2009

Sobre o medo e outros "demônios"...

“... eu perdi o meu medo, o meu medo, o meu medo da chuva... pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar... aprendi o segredo, o segredo, o segredo da vida... vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar...” ( Raul Seixas)


O ano: 1999.

O lugar: uma ilha paradisíaca na Costa do Dendê( BA).


As pousadas estavam lotadas. Hospedados numa casinha bem modesta na vila, caminhávamos para praias mais desertas, durante o dia, por uma trilha na mata e levávamos lanternas para voltarmos à noite.


Um belo dia, esquecemos as lanternas. O sol se pôs mas ainda estávamos em pleno processo criativo. Mesmo muito cansada, sugeri que voltássemos pela própria praia, apesar do caminho ser mais longo. A idéia de andar pelo mato, noite adentro, não era a mais agradável de todas pra mim. E se algum bicho aparecesse faminto? E se alguém pisasse numa cobra?


Obviamente, fui voto vencido. O argumento de que a lua cheia iluminaria a trilha convenceu quem mais estava embarcando nessa aventura. Partimos então para a fila indiana. Com o tempo, os olhos se acostumaram com a escuridão, mas eu ainda pensava: e se uma nuvem aparecer fazendo a lua sumir do céu?


De repente, paramos. Estávamos numa clareira no meio da mata. A iluminação natural fazia com que as cores da noite tivessem um brilho nunca d’antes visto por mim. Nosso “guia” sugeriu que sentássemos ali por um tempo, para contemplarmos o céu e todas as constelações que nem imaginamos existir quando estamos nas grandes cidades. E não sei se foi aquela luz... mas aceitei, magicamente, sem nem pestanejar.


Ficamos ali em silêncio por um bom tempo. Aos poucos fui aguçando melhor os meus sentidos. Os cheiros, os sons, o contato com a terra... era como sempre tivesse feito parte daquilo ali... então, o que eu tinha a temer?


Ahhh... pode parecer estranha a comparação, mas foi como nadar nua em alto-mar pela primeira vez. Pude, então, perceber que a maior parte dos meus medos era totalmente imaginária. Eram apenas pensamentos sombrios, causados por alguma crença que impregnava meu subconsciente. Enfim... eu estava livre!


MEDO X AUTO-PRESERVAÇÃO


Lembro de quando meu pai me contou sobre uma das suas viagens à Chapada Diamantina. Ele ficava durante dias e dias caminhando, sozinho... acampando em pedras, subindo montanhas, meditando... até que um belo dia uma cobra atravessou sua trilha. Ao invés de atacá-la, ele simplesmente abriu espaço pra que ela passasse. “Aquele ali é o ambiente dela e precisei respeitar seu espaço pra que ela não se sentisse ameaçada. Por isso ela não me atacou e tranquilamente seguiu seu caminho.”, disse ele. *


É claro que não vou me jogar num ninho de cobras pra provar essa teoria. Assim como não ando sozinha por lugares perigosos, nem passo em frente de favelas em guerra ou saio de casa com todo meu dinheiro na bolsa. Não faço isso por temer uma investida contra minha integridade física, e sim, para evitá-la ( afinal, não moro no Canadá, onde poderia dormir com a porta da minha casa aberta, segundo Michael Moore *²).


Medo não é antônimo de coragem, e sim, a ausência da fé.


O medo é a explicação, por exemplo, para o ciúme, a inveja e a raiva que aparecem, às vezes, “do nada” - mesmo que tenhamos consciência da negatividade desses sentimentos. O ciúme é o medo de perder algo ou alguém que se acredita possuir. A inveja é o medo de não ser bom o suficiente para executar determinada tarefa. A raiva é o medo de se perder a si próprio. E permitir constantemente o aparecimento desses sentimentos, pode fazer com que apareçam complexos, obssessões, compulsões e até mesmo a síndrome do pânico – o mal do mundo moderno. Sabendo disso, como acalmar, então, o coração acelerado, o corpo que treme involuntariamente e a adrenalina que está a mil? A resposta é simples: auto-confiança e amor-próprio. Ponto.


Cobra, barata*³, altura, escuro, avião, fantasma, velhice, morte... não temo nada disso... porém houve uma época em que tive muito medo de me apaixonar, por exemplo. Medo do julgamento alheio. Medo de que as coisas não dessem certo. Pior. Medo de que as coisas DESSEM CERTO! Medo de ser feliz. Porque felicidade demais assustava. E ainda existiam as crenças de que “tudo que é bom dura pouco”, “quem tudo quer, tudo perde” e “quanto mais alto o cavalo, maior é a queda”. Coisas que escutamos desde a infância e que se estabelecem como verdades dentro do nosso subconsciente, muito embora conscientemente brademos não acreditar em nada daquilo.


De acordo com a psicologia, tudo o que ouvimos repetidamente até os 7 anos, fica gravado em nós, como dados num disco rígido. Por isso é tão importante termos cuidado com o que dizemos pras nossas crianças. Não existe forma de deletar essa etapa. Mas isso não quer dizer que a crença não possa ser anulada. Basta querermos. Basta acreditarmos.


Segundo alguns estudos realizados, à noite, antes de dormir, nossa mente está mais “passiva” tornando o subconsciente mais receptivo às nossas determinações. Pode ser esse o momento ideal para focarmos em coisas boas determinando nosso propósito nessa vida. Outros dizem que o melhor mesmo é “endorfinar” o cérebro, clareando as idéias e estabelecendo novas crenças, dessa vez, positivas. Orações, rituais, meditação, mantras, auto-sugestão, pensamento positivo, conversas com Deus... seja lá como for, de acordo com as ligações espirituais ou com o pensamento científico de cada um, o que importa é deixar o medo de lado e dedicar-se ao que se deseja de verdade.


É o que busco hoje em dia. Desafiar os meus medos...


... e fazer boas escolhas.


Sempre.


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* O animal só ataca por dois motivos: fome ou auto-defesa. ( bem diferente de muito ser-humano por aí...)


*² No documentário “Tiros em Columbine”, Michael Moore critica a cultura do medo, incentivada pelo governo americano sob o lema de que "a melhor defesa é o ataque". A consequência disso é ter os EUA como um dos países mais violentos do mundo, contrastando imediatamente com seu vizinho, o Canadá.


*³ Sinto muito nojo de lagartixa e sapo. Tenho cá as minhas razões. (pronto, falei!)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Instinto Selvagem...

"Sai daqui ô suja, cara de coruja, ta me chateando... até parece a peste, qdo vem do leste, logo vem matando... cara de coruja, pescoço de ganso, olho de gamela... ta ouvindo tudo depois diz aos outros que não é com ela! Tem uns lindos dentes que parecem enxadas de arrancar capim... vai ao cemitério arrancar os ossos de algum 'Serafim'... cara de coruja, pescoço de ganso, olho de gamela... tá ouvindo tudo depois diz aos outros que não é com ela!" *


Definitivamente, eu não nasci pra brigar. Não fui feita pra isso. Não mesmo.


Minha mãe diz que quando eu era pequena houve uma época em que ela recebeu um bilhetinho da escola dizendo que eu não sabia me defender, deixando que as outras crianças fizessem de mim “gato e sapato”. Prontamente, meus pais tiveram uma conversa comigo em casa. Um tempo depois, outro bilhetinho: eu estava muito “agressiva”. Óbvio: aos 3 anos estava tendo que lidar com uma coisa que não fazia parte da minha essência.


Com o passar do tempo, alguns acontecimentos fizeram com que eu percebesse que existem alguns sentimentos com os quais não me acostumo... e odeio qdo acabo detectando-os em mim. Raiva e ciúme, por exemplo. E o medo. Mal ou bem, os dois primeiros estão diretamente conectados ao último: esse infinito medo que nos paralisa de vez em quando.


Mas não é sobre medo que vou falar hoje ( isso ja é assunto para o próximo post).


Eu vivi uma situação essa semana que me causou um imenso desconforto.


Tenho convivido diariamente com uma criança que é o ser mais doce que existe na face da terra. Meu afilhado tem 3 anos ( a mesma idade que eu tinha no episódio citado por minha mãe), passamos o dia juntos e, no fim, fomos brincar no parque de uma lanchonete... enquanto eu pedia o lanche, ele veio descendo do brinquedo tranquilamente e, ao olhar de novo , vi um garoto um pouco mais velho batendo nele.


Não sei dizer a ordem do filme que passou pela minha cabeça nesse momento. Em um segundo eu pensei: “ele ta chorando! como assim? onde estão os pais desse outro menino que não estão vendo isso? que absurdo! ”... e ao mesmo tempo em que pensava isso, eu ja estava levantando em direção ao brinquedo, gritando : “Ô! Ô!Ô! Ei! Pára!”. Não pensei duas vezes. Na verdade, simplesmente não pensei. “PORQUE VC BATEU NELE? RESPONDE, PORQUE VOCÊ ESTAVA BATENDO NELE?”, perguntei em “caps lock”, enfática.


Nesse instante o pai do garoto ( que estava sentado bem ao lado do brinquedo vendo toda a situação desde o início) se levantou e começou a discutir comigo. E se eu já tinha virado uma loba defendendo a minha cria, virei um bicho maior ainda depois disso.


Ele falou que isso era coisa de criança e que eu não tinha nada que me meter... me chamou de coisas que eu não ousaria repetir aqui. E das coisas que ele disse, só dou razão a uma delas: eu não podia falar daquele jeito com o filho dele ( não tenho que me meter na educação de ninguém). O que acontece é que ELE mesmo deveria ter levantado dado a bronca merecida no menino. Simples assim.


Eu nunca tinha passado por uma situação semelhante. Fui completamente instintiva!!! E pensando melhor agora, vejo que faria diferente. Discuti em igualdade com ele, entrando na mesma energia... mas saí de lá muito mal, com o choro preso na garganta. E ao chegar em casa, desabei.


Eu tava sentindo tanta raiva... é óbvio que aquele menino não tem culpa de agir daquela forma. De repente ele aprendeu assim. Na escola, em casa... a responsabilidade é dos pais que não dão a educação merecida. Provavelmente, se isso continuar dessa forma, um dia esse garoto esteja espancando adolescentes pelas ruas da cidade. E o pai aplaudirá, achando bonitinho o filho “ ser macho”, e o incentivará com jogos de videogame “educativamente” violentos.


Sobre outro acontecimento mais recente - no qual alguém que não conheço quis me “machucar” - uma pessoa muito importante pra mim disse assim: “Você se deixa abalar demais por essas coisas. Preocupe-se com quem te quer bem.” É isso... esse é o ideal... só que minha sede por justiça, às vezes, fala mais alto.


Descobri que preciso tentar entender minha ligação com a raiva e aprender como lidar com ela, qdo surge. Teoricamente entendo tudo. Sou budista e isso envolve diariamente três princípios: “fé, prática e estudo**”. Estudando aprendi uma coisa muito importante: a todo momento vivemos alegrias e sofrimentos, e em consequência disso todo ser humano tem dentro de si 10 mundos ( também chamados de “10 estados de vida”) nos quais pode escolher viver. Nenhum desses estados existe separado dos outros nove. No mundo real, estamos a percorrê-los a todo instante.


São eles ( do menos ao mais desejado):


  • OS SEIS CAMINHOS INFERIORES (os que dependem das circunstâncias externas para se manifestarem e por isso não podemos dizer que as pessoas nesses estados de vida desfrutam a verdadeira liberdade ou autonomia.): Inferno ( desespero e sofrimento), Fome (desejos ilusórios) , Animalidade ( estado instintivo no qual teme-se o forte e oprime-se o fraco) , Ira (necessidade de superar e dominar outros e geralmente dissimulado por uma aparente bondade e sabedoria) , Tranquilidade (capacidade de raciocínio e de fazer julgamentos) e Alegria ( desejos satisfeitos e sofrimentos amenizados).


  • OS QUATRO NOBRES CAMINHOS: Erudição (estudos, aspiração à iluminação), Absorção (capacidade de perceber por si só a verdadeira natureza de todos os fenômenos), Bodisatwa (benevolência com que uma pessoa vence as restrições do egoísmo e dedica-se incansavelmente pelo bem-estar dos outros) e Buda (condição da mais perfeita e absoluta liberdade).


Minha busca diária é tentar permanecer em níveis mais elevados, claro ( mesmo com o estresse do trânsito, as injustiças do trabalho, a fila do banco, etc etc etc...). Só que, como todo ser humano, em alguns momentos me vejo agindo impulsivamente e entrando na mesma energia que o outro. O que me difere hoje de quem eu era há alguns anos, é saber que o universo é feito de ação e reação... portanto receonheço meus erros, pensando no meu crescimento e no bem-estar do outro também. E erro bastante ainda, mas retomo meu caminho mais rapidamente.


Eu espero, de todo meu coração, conseguir controlar isso melhor daqui pra frente. O que eu sei hoje é que vivo de um amor puro... e se alguém machuca um ser que eu amo, defendo-o com unhas e dentes, sem pestanejar. Mas sei também que é bom que eu não precise usar as unhas... nem os dentes! Bom... seja lá como for, também quero começar a ensinar meu afilhado a se defender desse mundo lá fora. Mas como fazer isso sem bloquear o que ele tem de melhor? É uma coisa a se pensar...


A gente aprende muito com a vida, mas nunca muda a nossa essência. E como já disse Clarice: “Sou sempre eu mesma mas com certeza nao serei a mesma pra sempre”.


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* Minha mãe me ensinou essa música qdo eu era pequena... não sei de onde vem, mas acho que foi a forma que ela teve de começar a me ensinar a me defender pelo mundo afora... rsrs!


** Fonte de estudos sobre princípios budistas: BSGI ( Extranet).


Pintura: Orestes perseguido pelas Fúrias", de Adolphe-William Bouguereau (1825-1905)


domingo, 18 de janeiro de 2009

PARA GUARDAR A INFÂNCIA



"Atenção: Compro gavetas,

armários, cômodas e baús.

Preciso guardar minha infância:
os jogos da amarelinha,
os segredos que me contaram
lá no fundo do quintal.

Preciso guardar minhas lembranças:
as viagens que não fiz,
ciranda, cirandinha
e o gosto de aventura
que havia nas manhãs.

Preciso guardar meus talismãs:
o anel que tu me deste,
o amor que tu me tinhas
e as histórias que eu vivi..."

( Roseana Murray)

13 meses e meio... ou 59 semanas... ou 415 dias. Foi esse o tempo em que fiquei longe daqui.

Tempo de encontros valiosos com pessoas que, com certeza, estarão ao meu lado pra sempre. Tempo de descobertas. Tempo de mudanças. Tempo de correr o mundo e de entender como ele gira. Tempo de amar. Tempo de crescer. "Tempo, tempo, tempo, tempo... compositor de destinos..."!!!

Poderia começar esse post citando as mil razões que fizeram com que eu me afastasse, mas prefiro fazer diferente. Prefiro dizer o que me fez voltar... e isso vou fazendo aos poucos.

Em primeiro lugar: descobri que tô com saudade de mim, das minhas memórias e até do que ainda não vivi. Saudade do meu violão. Das minhas canções. Do que me inspira. De quem me inspira.

Em 1987 fui inspirada pela poetisa Roseana Murray. Eu tinha 9 anos e li "Classificados Poéticos", decorando logo em seguida algumas de suas poesias. Não sei bem porque, mas "Para guardar a infância" esteve sempre comigo... e não sai da minha cabeça há semanas!

Coincidentemente hj, ao visitar o blog de uma das pessoas mais queridas do meu coração, fiquei impressionada com a sincronicidade do universo: não é que a poesia que não saía da minha cabeça combinava perfeitamente com a aula do Randy Pausch, mostrada nessa matéria do Fantástico?? Muito obrigada pelo seu último post, amiga!!!!

Pronto. É daqui que eu quero começar.
É assim que eu quero recomeçar.
Feliz.

Seize the Day!!!!!


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* Randy Pausch teve câncer pancreático incurável diagnosticado em setembro de 2006. Sua popular última aula na Universidade Carnegie Mellon, em setembro de 2007, ganhou atenção internacional e foi vista por milhões de pessoas no YouTube. Nela, Pausch fala de viver a vida que sempre sonhou, ao invés de passar seu tempo concentrado em impedir a morte. Ele faleceu em julho de 2008.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

On the road


CONTATOS IMEDIATOS ( Arnaldo Antunes)

"Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar
Me leve para passear

No seu disco voador
Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu
Até pousar no meu quintal

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto para embarcar
Sem me preocupar e sem temer

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou

Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

No seu balão de são joão
Que caia bem na minha mão
Ou numa pipa de papel
Me leve para além do céu

Se o coração disparar
Quando eu levantar os pés do chão
A imensidão vai me abraçar
E acalmar a minha pulsação

Longe de mim
Solto no ar
Dentro do amor
Livre para navegar
Indo para onde for
O seu disco voador"


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*ilustração: Caó

sábado, 11 de agosto de 2007

SEX & THE MATRIX





“Despite the fact that there are over eight million people on the island of Manhattan, there are times you still feel shipwrecked and alone. Times even the most resourceful survivor would feel the need to put a message in a bottle, or on an answering machine.” (Sex & The City)


"Sex & The City" e Jimmy Fallow... dobradinha sensacional!

Mas "voltando à vaca fria", como diria minha avó - aliás... um pequeno à parte: o que isso quer dizer mesmo? É "voltando À VACA FRIA" ( no sentido de retornar em direção a) ou "voltando A VACA FRIA" (trazendo-a de volta)???

Enfim, acho que o que importa aqui é: "THERE´S NO SPOON"!!!!!

Vai ser feliz, Carrie!!!!!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

MEU FADO MEU


"Se a minha alma fechada se pudesse mostrar e o que eu sofro calada se pudesse contar... toda a gente veria quanto sou desgraçada, quanto finjo alegria... quanto choro a cantar...

Que Deus me perdoe, se é crime ou pecado. Mas eu sou assim. E fugindo ao fado, fugia de mim. Cantando dou brado e nada me dói. Se é pois um pecado ter amor ao fado, que Deus me perdoe.

Quando canto não penso no que a vida é de má... nem sequer me pertenço nem o mal se me dá.

Chego a querer a verdade e a sonhar - sonho imenso! - que tudo é felicidade e tristeza não há." (Silva Tavares)

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

DO DESEJO


"E porque haverias de querer minha alma na tua cama? Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas, obscenas, porque era assim que gostávamos. Mas não menti gozo, prazer, lascívia... nem omiti que a alma está além, buscando aquele Outro. E te repito: porque haverias de querer minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de coitos e de acertos. Ou tenta-me de novo. Obriga-me." (Hilda Hilst)
  • "UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA" ( Une Liaison Pornographique)
1999. Paris.
Ela e Ele não se conhecem. Anônimos, ligados apenas pelos classificados eróticos de uma revista, marcam um encontro num café e seguem para um hotel. Nenhum diálogo mais profundo... e um novo encontro é marcado. Essa rotina erótica é repetida a cada semana... sem que, ao menos, eles saibam seus nomes.
Acreditem: esse filme francês é uma história de amor!

HELLO, STRANGER...



"Love is an accident... waiting to happen. Desire is a stranger... you think you know. Intimacy is a lie... we tell ourselves. Truth is a game... you play to win.

If you believe in love at first sight...
... you never stop looking."
(CLOSER)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

COME WHAT MAY



"The greatest thing you'll ever learn is just to love and be loved in return." (Moulin Rouge!)

DUALIDADE

"Over the sea and far away she's waiting like an iceberg... waiting to change but she's cold inside. She wants to be like the water.

All the muscles tighten in her face, buries her soul in one embrace. They're one and the same just like water...!

The fire fades away most of everyday. Is full of tired excuses but it's to hard to say... I wish it were simple but we give up easily. You're close enough to see that you're the other side of the world to me...

On comes the panic light holding on with fingers and feelings alike, but the time has come to move along...

Can you help me? Can you let me go?
And can you still love me when you can't see me anymore?"
(Shania Twain)


Cada coisa inteira é uma metade completada por outra coisa. Duas forças complementares compõem tudo o que existe:
  • Luz e escuridão.
  • Calor e frio.
  • Céu e terra.
  • Ação e reação.
  • Movimento e repouso.
  • Masculino e feminino.

Pólos que se complementam entre si, gerando o equilíbrio. Tudo em constante mutação. Tudo.

No decorrer desse processo de evolução, diminuem as diferenças entre as almas e elas entram em harmonia, preservando sua individualidade.

E nisso... incluo-me. Inteira e metade.

É a eterna busca... de ser feliz!
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PS: esta foto foi tirada de uma gravura exposta em TODOS - sim... todos! - os quartos do Hotel Vila Galé Porto - sim... Portugal! - em 2005. Os mesmos quadros ainda estavam lá em 2006. Não voltei este ano para conferir... de toda forma, ainda sou tocada por esta mistura louca de razão e emoção que ela me traz. O que vocês conseguem ver???

SORTE



" Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata." (Clarice Lispector)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

ME DEIXAS LOUCA



"O moço toca flauta enquanto ela lembra das virtudes esquecidas nas cavernas de seu coração. A melodia vai ecoando por toda parte, desde os ouvidos até o pulmão. Ela tropeça nela mesma enquanto se enternece com o som raro daquela flauta. E a tristeza transversal que até então lhe preenchia, dá lugar a uma euforia luminosa. Assim sem razão de ser, mas já sendo. " (Ecoando Notas - O Teatro Mágico)

De: Mim. / Para: Você.

Penso nas suas mãos e tudo é música. E música é você. E você... é do ar... e sua boca é verso, lira de lábia doce. Penso em seus olhos e tudo é espera. Porque o hoje é a espera do amanhã. Sempre.

Penso em seu sorriso e tudo é sonho. E sonho é você. E você... é do ar... sua voz ao telefone, a lua e a estrada. Sons bloqueados pelas ondas de algum lugar. D´além mar. Sempre.

A impotência de qualquer gesto meu.

A importância de todo gesto seu.

E é nesse instante que brotam as palavras. Signos e dramas das mãos da menina que espera. O frio, o sono e a agonia. A doçura do seu beijo na lembrança. E os pássaros na madrugada da Serra.

Quando o dia amanhece, a dor passa. Pois é do ar do céu e da terra.
Atravessa as estrelas e passa. Sempre. Para sempre.
Passa daqui e do lado de lá.

Passa.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

06 DE AGOSTO...

" De volta ao cais, à terra abençoada, amada mãe... deixa-me voltar, tocar-te com os pés, andar, andar... sentir que ainda sou e nunca mais deixar de ver os teus sinais... sentir, seguir a luz da estrela-guia nos céus e no cais... no porto do teu coração!!!

Mãe... das cantigas, quantas melodias não compreendi? Mãe... dos mistérios, quantos descaminhos inda estão por vir? Em outros lugares, tantas outras vidas vãs te destroçaram até não mais poderem resistir... !

Mãe-natureza... de onde vem a força que nos levará? Diga-me ao menos pra que eu não me perca... pra que eu não pereça, mesmo que mereça não saber porque." (Mãe - Arnaldo Almeida)
  • 06 de Agosto é o 218º dia do ano no calendário gregoriano (219º em anos bissextos).
  • Em 1911, nasceu Lucille Ball - atriz comediante estadunidense.
  • Em 1928, nasceu Andy Warhol - desenhista, pintor, publicitário e escultor da "pop-art"
  • Em 1934, nasceu Gianfrancesco Guarnieri - artista italiano radicado no Brasil.
  • Em 1944, nasceu Irene Ravache - atriz brasileira.
  • Em 1953, nasceu BERENICE SANTOS C. MONTEIRO DOS REIS...

... Berê, para os íntimos... mas eu posso chamar de "MAMÃE"!!!!!

Nunca entendi porque dizem que Agosto é o "Mês do Cachorro Louco". Eu sei é que, nesse mês, estão localizadas datas muito importantes pra que eu esteja aqui e agora.

  • 04/08/1974 - casamento dos meus pais (RJ)
  • 23/08/1977 - eu nasci (BA)
  • 06/08/2002 - embarquei num vôo da GOL ( SSA - GIG).

Há 5 anos exatos, vim parar no Rio de Janeiro, cidade que escolhi pra ser feliz!

Sim, era aniversário dela - a "moça da foto" comigo no colo.

Sim, a pequena sou eu.

Com amor... muito amor!

PARABÉNS, MÃE!!!!

  • PS: FALTAM 147 DIAS PARA O REVEILLON!!!!!

INSPIRAÇÃO...



"Segundo Einstein não existe descontinuidade entre mente e matéria, entre realidade mental e realidade externa e por mais incrível que pareça, os átomos não existem até o momento em que se decide olhar para eles, assim como o universo físico também não existe sem os nossos pensamentos sobre ele.O ato de observação altera fisicamente a natureza do que está sendo observado, criando a realidade a partir de nossas próprias observações.

A física quântica nos ensina que mesmo o mundo material é criado por nós, momento a momento... enxergamos apenas o que acreditamos ser possível e a cada dia decidimos e materializamos, consciente ou inconscientemente, os acontecimentos que vamos vivenciar. O universo apenas diz SIM aos nossos desejos. Pedi e recebereis!

Mas atenção: é preciso não confundir o “desejo” com a “expectativa” que geralmente oculta uma crença contrária. É a consciência quem escolhe a realidade entre as possibilidades, quem determina a trajetória das partículas, quem decide!

Temos a nossa vida nas mãos, e o que fazemos com ela, é de nossa exclusiva responsabilidade."

(
by Anna Sharp - http://www.annasharp.com.br/)


Acreditem: Quiño (cartunista argentino) criou esse quadrinho há muitos anos, quando esse tema ainda não era "moda". As histórias de "Mafalda" começaram a ser publicadas na década de 60. Naquela época, "What the bleep do we know" e "The Secret" não estavam em cartaz no cinema mais próximo da sua casa.

Enfim...
... esta criança sabe o que faz!!!

PELA JANELA DO CARRO



" Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que não sei o nome: cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo... cores! Passeio pelo escuro. Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve. E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora... ah! Eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus. Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone..." ( Esquadros - Adriana Calcanhoto)


São Paulo. Chuva e trânsito.
Mais uma turnê. Eu em trânsito.
Não é um "click" atual... 2005 é passado.
Um ano " bem passado"!

Eu gosto dessa foto.
É isso.
Pronto.
Ponto.