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domingo, 7 de junho de 2009

REALITY MODE: ON...





"I want you to know that I'm happy for you. I wish nothing but the best for you both.


An older version of me... is she perverted like me? Would she go down on you in a theater? Does she speak eloquently? And would she have your baby? I'm sure she'd make a really excellent mother...


'Cause the love that you gave, that we made, wasn't able to make it enough for you to be open wide, no... and every time you speak her name, does she know how you told me you'd hold me
until you died? 'Til you died? But you're still alive.

And I'm here to remind you of the mess you left when you went away.
It's not fair to deny me of the cross I bear that you gave to me. You, you, you oughta know!

You seem very well, things look peaceful.
I'm not quite as well, I thought you should know.


Did you forget about me, Mr. Duplicity?


I hate to bug you in the middle of dinner, but it was a slap in the face how quickly I was replaced.
And are you thinking of me when you fuck her?

(...)

'Cause the joke that you laid in the bed, that was me and I'm not going to fade as soon as you close your eyes... and you know it. And everytime I scratch my nails down someone else's back, I hope you feel it... well, can you feel it?
" (You Oughta Know - Alanis Morissette)


Há muitos e muitos anos, num reino distante daqui, uma menina andava pelas montanhas quando, de repente, montado em seu cavalo branco, um jovem apareceu oferecendo-lhe uma rosa.

Ele disse estar só de passagem, pois morava em outro reino... conversaram por horas a fio... olhando-a nos olhos, ele contou sobre suas aventuras e desventuras... e ao falar dos seus sentimentos, as palavras pareciam brotar do coração. E então, após um beijo demorado e doce, ele partiu.

" É um príncipe!", ela pensou.

A menina resolveu cultivar aquela flor em seu jardim, no vale em que morava. Plantou-a com todo cuidado e a regava diariamente, ao mesmo tempo em que ele enviava belas mensagens, cartas apaixonantes e pequenos presentes... e a cada dia mais envolvida, vivia o sonho de ser uma princesa também.

Para tornar isso tudo mais real, ela decidiu viajar deixando tudo pra trás, levando consigo apenas a rosa... mas pra isso teria que pedir permissão à corte. Aconteceu, então, o inesperado. Segundo as leis de seu reino, ela não poderia partir sem antes cumprir algumas tarefas importantes. E isso poderia levar mais tempo do que o previsto anteriormente.

O tempo? Foi passando... as mensagens dele já não chegavam com tanta frequência, as cartas já não eram embebidas em seu perfume e os presentes, inexistentes. Aos poucos ela descobriu que ele era um simples plebeu, cheio de defeitos, mas isso não tinha a menor importância. Mesmo a tratando estranhamente, oscilando entre a indiferença e a paixão, ele afirmava a querer perto dele. E ela, que também não era perfeita, queria apenas estar ao seu lado e sonhava em construir, tijolo por tijolo, um castelo pros dois. Estava tão determinada a cumprir seus deveres antes de partir, que não percebeu em que ponto tudo se perdeu... pois ele não soube esperá-la... e começou a distribuir rosas por todos os reinos em que passava.

De repente, a menina virou mulher. Acordou e estava assim: disposta a encarar a realidade dos fatos, cansada de se machucar à toa, certa do que queria fazer da vida. E deixou a rosa de lado, mas a regava aos poucos, caso o destino resolvesse diminuir as distâncias e comprovasse aquilo que ela, no fundo, ainda acreditava ser a verdade do seu coração.

Um belo dia, o jovem, numa de suas viagens, resolveu procurá-la. Encontraram-se.

Ele disse estar só de passagem, pois ainda morava em outro reino - apesar de não saber quanto tempo isso ainda duraria. Conversaram por horas a fio... olhando-a nos olhos, ele contou sobre seus medos e desejos... segurando suas mãos, ele disse que as outras rosas que distribuiu pelo caminho já não tinham a menor importância... e ao falar dos seus sentimentos, as palavras pareciam brotar do coração.

Então... amaram-se muito! Reconheceram seus cheiros, seus corpos, suas almas... e após um beijo demorado e doce, ele disse estar disposto a tornar esse amor possível. Pediu que o esperasse, pois
precisava partir para as montanhas, mas regressaria ao vale em breve.

Ela? Acreditou.

Três dias depois, ele voltou. Não a procurou. Ela então, imaginando que ele estivesse perdido, foi ao seu encontro.

Ao encontrá-lo, uma surpresa: em tão pouco tempo, ele já não era o mesmo. Sua alma não estava mais em seus olhos. E, friamente, ele disse que não a queria mais por perto.

Ela não entendia.

" Acontece", ele disse. Afirmou ter procurado pelo caminho uma princesa para a qual havia entregado uma de suas rosas... e que essa princesa o recebeu em seu castelo, sorrindo muito... e tinha até uma carruagem! Por isso, ele decidiu que se mudaria para o seu reino, pois queria mesmo era tornar a vida mais fácil, inventando uma nova paixão por alguém que já tinha o que ele tanto buscava na vida e que, ainda por cima, acreditava que ele era um príncipe.

Ela o deixou ir... não sem antes fazê-lo enxergar que, ao abandoná-la, estava jogando uma jóia rara num precipício sem fim. Com isso, lembrou que não era mais uma menina e sim, uma mulher cheia de planos e sonhos a realizar. Portanto buscou esquecê-lo, apagá-lo da sua vida.

E o plebeu virou sapo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O TEMPLO DE BASTET...




"Vamos começar
colocando um ponto final ( pelo menos já é um sinal de que tudo na vida tem fim).

Vamos acordar... hoje tem um sol diferente no céu, gargalhando no seu carrossel, gritando 'nada é tão triste assim!'...

É tudo novo de novo! Vamos nos jogar onde já caímos! Tudo novo de novo! Vamos mergulhar do alto onde subimos!!! Vamos celebrar nossa própria maneira de ser - essa luz que acabou de nascer quando aquela de trás apagou. E vamos terminar inventando uma nova canção, nem que seja uma outra versão pra tentar entender que acabou..."
( Moska)

"Era uma vez..." - não. A partir deste momento, começarei todas as minhas histórias pelo presente... ou como diria o sábio Anitelli: " de ontem em diante serei o que sou no instante agora". Por isso...

...É UMA VEZ!

É uma vez essa tempestade que invade a sala da nova casa. Logo vem a lua cheia no céu, exercendo sua força sobre as marés, os felinos e - como não poderia deixar de ser - sobre mim também.

Ciclos completos e intuição à flor da pele.
Cada vez mais atenta, sinto que estou no lugar certo... na hora certa. Clarividência. Coincidências.

Após três meses, numa terça-feira - 03/03/09 - às 3 da tarde, levanto um vôo bem alto. Algumas horas depois, a imagem de um homem no topo de uma montanha, a esperar por mim de braços abertos. Do aeroporto pra casa, os termômetros da cidade confirmam o calor 30°C. Ao parar, o taxista confirma o valor da corrida, com o desconto prometido pela empresa: " deu trinta e três e trinta e três, moça." ( R$ 33,33!!!!! Ainda bem que tenho uma amiga como testemunha...!)

Faço questão de entrar com o pé direito no meu novo lar... e sou imediatamente recebida pelos representantes de Bastet* nesse templo: Serafim, Dolores e Naomi. Sim... são três.

Tríades à parte, já
posso sentir que serei muito feliz enquanto estiver aqui. Começo a decifrar aos poucos o comportamento dos felinos: a inocência infantil do doce Serafim, o cio enlouquecedor da desconfiada Dolores e a frieza antipática da intocável Naomi. E observando-os, surpreendo-me ao realmente gostar dessa convivência diária.

De fato, me dou muito bem com animais. São sempre uma ótima companhia, mesmo que não entendam muito bem porque estão ali. Da falecida arara "Lala" de Friburgo aos olhos violetas da gata "Ingrid" da Rua dos Oitis. Do vira-lata "Bob" da minha infância à esquila "Maria" da terra do Tio Sam.


Nunca neguei minha preferência pelos cães... talvez por parecerem mais companheiros, menos "egoístas". Aprendem rápido e associam algumas palavras aos limites ou privilégios que eles possam vir a ter. Na verdade, acredito que eles possam suprir melhor a carência humana, qdo parecem retornar o amor que dedicamos ao cuidarmos deles.

Ao mesmo tempo, aprendi a respeitar e entender essa tal individualidade dos gatos.

Naomi, a gata negra, é anti-social ao extremo. Não deixa que ninguém a toque. Não pede carinho. Não mia ( ao menos, nunca vi). Então a deixo no canto dela. De vez em quando ela se aproxima e deita mais perto de mim. E hj ela ficou parada na porta da cozinha me olhando, até que entendi que o que ela queria era que eu servisse seu jantar. Hahahahaha... pois é... psicologia felina... rsrss!

Dolores, como eu disse anteriormente, está no cio. Enlouquecida, rola pelo chão... anda languidamente em direção ao Serafim, com um objetivo explícito em seu caminhar: acasalar. Simples assim. Daí, ela emite grunhidos estranhíssimos e de vez em quando surta, correndo de um lado pro outro da casa, aparentemente sem motivo algum. Tadinha da Dolores... ela só quer "dar" e ficar "de conchinha" depois... só que ela não entende "lhufas" do que tá sentindo!
Observando-a, divirto-me pensando que se o homem veio do macaco, a mulher é apenas uma "gata que pensa"... ( ok, ok... algumas não pensam, eu sei!) Haahahaha...!!! Ai, ai... como é bom ser humana nessas horas... ou não!!! rsrs...

E, por fim... Serafim! Uma criança... deve ter no máximo 5 ou 6 meses e não entende o que Dolores quer. Pra ele é tudo brincadeira. Só que de vez em quando, essa brincadeira fica séria... rsrss... então ele se assusta com a reação produzida pela mocinha "P&B" e fica parado, olhando pra ela, com uma cara de " o que foi que eu te fiz?". Hahahaha... será que daqui a dois meses teremos novos gatinhos por aqui? Esse futuro papai, o pequeno Serafim, é o mais companheiro dos três: me recebe com festa quando chego em casa, me segue, sobe no meu colo... e quando sento pra escrever de madrugada, ele monopoliza o teclado e toma o lugar do "mouse" na mesa.

Pois é... estar aqui, no "Templo de Bastet", me faz querer viver sob um céu mais azul e ter uma vida mais leve. Me faz pensar sobre quem sou eu... e estar mais atenta sobre quem eu quero que esteja ao meu lado enquanto construo meu caminho. Os pré-requisitos básicos para fazer parte dessa "lista vip" são: respeito, confiança e parceria. Ah! Tem que ter bom humor tb... pq " nem só de pão vive o homem", né?

Vou brincar, dançar, cantar... e fazer da minha vida um banquete para ser celebrado com amor, felicidade e prazer!!!!

Diariamente.

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* PS: Bastet é a "Deusa gata" de Bubastis ( cidade do Delta do Nilo - Antigo Egito). Deusa da música e da dança, protetora dos gatos, guardiã das casas e defensora dos seus fihos.



terça-feira, 3 de março de 2009

TUDO NOVO DE NOVO



"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.


Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessario, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.


Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu pra viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?


Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na sua vida, serem subitamente transformadas em pó.


Mas tal atitude será um desgaste imenso pra todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.


Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.


Por isso é tão importante ( por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é manifestação do invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará envenenando e nada mais.


Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data pra começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.


Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era e transforme-se em quem é." ( Paulo Coelho)



Espero a chegada da nova era.   

Respiro... enfim.

Não quero mais aquela quimera.

Celebro... por mim.

Leveza. Alvorada. Desejo. Música. Encontro. Alívio. Espelho.

A nova casa. O novo quarto. De novo.

O amanhã a mim pertence... hoje.

Fidelidade. 

Felicidade.

Fim.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Se alguém perguntar por mim...

"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo." (Caio Fernando Abreu)

… pode dizer que fui por aí, levando duas malas e um violão embaixo do braço.


Eu saí pra estrada e são muitos os lugares pra ir (quero matar a vontade enquanto tenho saúde e idade). Preciso saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina... preciso aprender inglês. Preciso me ver de perto e ouvir aquela canção do Roberto. Preciso saber de mim.


Eu sou cigana. Vou andando sem pensar em voltar. Um dia eu volto, quem sabe? Tudo bem, meu bem... só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão. Conheço a dor e a delícia de ser o que sou. Respiro o prazer de ser quem eu sou. De estar onde estou. E ainda falta tanta coisa...! Por isso, se alguém perguntar, pode dizer que sim. Eu volto sim... mas só depois que eu matar essa saudade que venho sentindo de mim.


Viver, cantar, morrer, nascer... já sei do inferno das paixões. Já cheguei, já parti. Já não paro mais em qualquer esquina, nem entro em qualquer botequim. Não quero seguir definhando sol a sol. Já sei tanto e é claro que não sei de nada.


Quando eu choro é uma enchente. Quando eu amo, devoro todo o meu coração (odeio e adoro numa mesma oração). Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda: quando eu canto, quem não for meu irmão que se cuide! Eu sou assim: canto pra me mostrar. Faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã.


Eu estou por aí... meu sonho é ser imortal. Sou o recôncavo e o reconvexo, o avesso do avesso, a luz das estrelas, a sereia que dança, mutante... dona do dom que Deus me deu, dos meus ideais... mas se me der na telha sou capaz de enlouquecer e mandar tudo pr’aquele lugar! Aaaahhh... dentro de mim mora um anjo à la Sarita Montiél!!! E até que me provem o contrário, acredito em tudo... e nunca duvido da fé!


Não tenho medo. Celebro a chegada no eterno começo.


(*R.)

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* Texto criado por mim, a partir de algumas pérolas da mais pura música popular brasileira.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sobre o medo e outros "demônios"...

“... eu perdi o meu medo, o meu medo, o meu medo da chuva... pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar... aprendi o segredo, o segredo, o segredo da vida... vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar...” ( Raul Seixas)


O ano: 1999.

O lugar: uma ilha paradisíaca na Costa do Dendê( BA).


As pousadas estavam lotadas. Hospedados numa casinha bem modesta na vila, caminhávamos para praias mais desertas, durante o dia, por uma trilha na mata e levávamos lanternas para voltarmos à noite.


Um belo dia, esquecemos as lanternas. O sol se pôs mas ainda estávamos em pleno processo criativo. Mesmo muito cansada, sugeri que voltássemos pela própria praia, apesar do caminho ser mais longo. A idéia de andar pelo mato, noite adentro, não era a mais agradável de todas pra mim. E se algum bicho aparecesse faminto? E se alguém pisasse numa cobra?


Obviamente, fui voto vencido. O argumento de que a lua cheia iluminaria a trilha convenceu quem mais estava embarcando nessa aventura. Partimos então para a fila indiana. Com o tempo, os olhos se acostumaram com a escuridão, mas eu ainda pensava: e se uma nuvem aparecer fazendo a lua sumir do céu?


De repente, paramos. Estávamos numa clareira no meio da mata. A iluminação natural fazia com que as cores da noite tivessem um brilho nunca d’antes visto por mim. Nosso “guia” sugeriu que sentássemos ali por um tempo, para contemplarmos o céu e todas as constelações que nem imaginamos existir quando estamos nas grandes cidades. E não sei se foi aquela luz... mas aceitei, magicamente, sem nem pestanejar.


Ficamos ali em silêncio por um bom tempo. Aos poucos fui aguçando melhor os meus sentidos. Os cheiros, os sons, o contato com a terra... era como sempre tivesse feito parte daquilo ali... então, o que eu tinha a temer?


Ahhh... pode parecer estranha a comparação, mas foi como nadar nua em alto-mar pela primeira vez. Pude, então, perceber que a maior parte dos meus medos era totalmente imaginária. Eram apenas pensamentos sombrios, causados por alguma crença que impregnava meu subconsciente. Enfim... eu estava livre!


MEDO X AUTO-PRESERVAÇÃO


Lembro de quando meu pai me contou sobre uma das suas viagens à Chapada Diamantina. Ele ficava durante dias e dias caminhando, sozinho... acampando em pedras, subindo montanhas, meditando... até que um belo dia uma cobra atravessou sua trilha. Ao invés de atacá-la, ele simplesmente abriu espaço pra que ela passasse. “Aquele ali é o ambiente dela e precisei respeitar seu espaço pra que ela não se sentisse ameaçada. Por isso ela não me atacou e tranquilamente seguiu seu caminho.”, disse ele. *


É claro que não vou me jogar num ninho de cobras pra provar essa teoria. Assim como não ando sozinha por lugares perigosos, nem passo em frente de favelas em guerra ou saio de casa com todo meu dinheiro na bolsa. Não faço isso por temer uma investida contra minha integridade física, e sim, para evitá-la ( afinal, não moro no Canadá, onde poderia dormir com a porta da minha casa aberta, segundo Michael Moore *²).


Medo não é antônimo de coragem, e sim, a ausência da fé.


O medo é a explicação, por exemplo, para o ciúme, a inveja e a raiva que aparecem, às vezes, “do nada” - mesmo que tenhamos consciência da negatividade desses sentimentos. O ciúme é o medo de perder algo ou alguém que se acredita possuir. A inveja é o medo de não ser bom o suficiente para executar determinada tarefa. A raiva é o medo de se perder a si próprio. E permitir constantemente o aparecimento desses sentimentos, pode fazer com que apareçam complexos, obssessões, compulsões e até mesmo a síndrome do pânico – o mal do mundo moderno. Sabendo disso, como acalmar, então, o coração acelerado, o corpo que treme involuntariamente e a adrenalina que está a mil? A resposta é simples: auto-confiança e amor-próprio. Ponto.


Cobra, barata*³, altura, escuro, avião, fantasma, velhice, morte... não temo nada disso... porém houve uma época em que tive muito medo de me apaixonar, por exemplo. Medo do julgamento alheio. Medo de que as coisas não dessem certo. Pior. Medo de que as coisas DESSEM CERTO! Medo de ser feliz. Porque felicidade demais assustava. E ainda existiam as crenças de que “tudo que é bom dura pouco”, quem tudo quer, tudo perde” e “quanto mais alto o cavalo, maior é a queda”. Coisas que escutamos desde a infância e que se estabelecem como verdades dentro do nosso subconsciente, muito embora conscientemente brademos não acreditar em nada daquilo.


De acordo com a psicologia, tudo o que ouvimos repetidamente até os 7 anos, fica gravado em nós, como dados num disco rígido. Por isso é tão importante termos cuidado com o que dizemos pras nossas crianças. Não existe forma de deletar essa etapa. Mas isso não quer dizer que a crença não possa ser anulada. Basta querermos. Basta acreditarmos.


Segundo alguns estudos realizados, à noite, antes de dormir, nossa mente está mais “passiva” tornando o subconsciente mais receptivo às nossas determinações. Pode ser esse o momento ideal para focarmos em coisas boas determinando nosso propósito nessa vida. Outros dizem que o melhor mesmo é “endorfinar” o cérebro, clareando as idéias e estabelecendo novas crenças, dessa vez, positivas. Orações, rituais, meditação, mantras, auto-sugestão, pensamento positivo, conversas com Deus... seja lá como for, de acordo com as ligações espirituais ou com o pensamento científico de cada um, o que importa é deixar o medo de lado e dedicar-se ao que se deseja de verdade.


É o que busco hoje em dia. Desafiar os meus medos...


... e fazer boas escolhas.


Sempre.


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* O animal só ataca por dois motivos: fome ou auto-defesa. ( bem diferente de muito ser-humano por aí...)


*² No documentário “Tiros em Columbine”, Michael Moore critica a cultura do medo, incentivada pelo governo americano sob o lema de que "a melhor defesa é o ataque". A consequência disso é ter os EUA como um dos países mais violentos do mundo, contrastando imediatamente com seu vizinho, o Canadá.


*³ Sinto muito nojo de lagartixa e sapo. Tenho cá as minhas razões. (pronto, falei!)