sábado, 17 de outubro de 2009

TPM

"Ao menos a dor podia aliviar esse nó na garganta que só faz secar... qualquer resto que reste do resto de nós... e as lágrimas tantas não são pra regar. Nem palavras conseguem mais amenizar... e a saudade é capaz de me enlouquecer... alívio seria você se mudar de mim... assim eu morava em qualquer lugar.

Mas nada me suporta, ninguém me conforta, apenas teus braços me acolhem. Acalma então essa minha agonia que nesses dias só me distrai. Ainda posso te esperar, sim... a tua paz vai saber me encontrar. Nem palavras conseguem mais amenizar... e a saudade é capaz de me enlouquecer... alívio seria você se mudar de mim, assim eu morava em qualquer lugar..." ( Daniel Chaudon)


Eu? Como eu estou?
Bom... a vida está corrida e a cabeça está a mil.
Todas as manhãs três alarmes distintos me despertam, quase simultaneamente.
Um celular. Outro celular. A TV.
Acordo, enfim.

Metrô. Aula.
... ... ...
Metrô. Casa.
... ... ...
Ônibus. Ensaio.
... ... ...
Casa.

... trabalhotrabalhotrabalhotrabalho...

Ai, preciso malhar!

E o jornal pra ler?
E a roupa pra lavar?
E a comida pra fazer?
E o quarto pra arrumar?

Ainda tem as músicas pra estudar...
... o show pra produzir...
... as contas pra pagar.

Não sei mais o que é dormir.
Tô sem tempo de sonhar.

(e isso, de repente, pode ser até bom... houve um tempo em que eu sonhava casar no interior com um homem que, na verdade, nunca soube o que é o amor).

Eu? Como eu estou?
Bom... encontrei outros caminhos, conheci outras pessoas, renovei meus ciclos. Redescobri desejos. Me vejo mais bonita. Tenho outras questões.

Sou a feliz proprietária de um mundo completamente novo pra mim.
Feliz. Sim, eu estou feliz.

Chove lá fora e, neste exato momento, uma música me emociona. Ouço-a incessantemente e descubro que ouvi-la me fez voltar a escrever. Agradeço muito ao universo por ter colocado em meu caminho amigos tão queridos, sensíveis e talentosos.

Mas, de alguma forma, sinto em dias como esse o latejar de antigas cicatrizes. E vem a impaciência, a voz mais grave... o querer trucidar quem me machucou um dia. Viro praticamente uma "Beatrix Kiddo"( Uma Thurman em "Kill Bill", sabe?). E isso também se estende - em menor escala, é claro - aos que me dizem pra ter calma, que tudo vai passar. Que no futuro eu vou perceber que as marcas do atentado não estarão mais ali. É mentira, não é? Algumas marcas ficam pra sempre... mais cedo ou mais tarde elas acabam aparecendo, eu sei. Eu sinto.

É. Ainda tem o blog vazio...
(e o coração também).


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

CLOSER...


" Yes, I would have loved you... forever. Now, please go." ( "Alice" - Closer.)

Calor.
Mágoa. Raiva. Dor.
Calo.

Calor.
Medo. Pena. Tremor.
Sinto...

... muito.

Não quero ver.
Não quero ouvir.
Não quero saber e nem sentir...

... calor.

Me deixa aqui, assim, quietinha no meu canto.
E vê se some de uma vez.

Eu tô feliz.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

BETTE DAVIS EYES...



" Morro de delicadeza. Tudo merece um olhar. (...) Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente e me deleito. (...) Não sou bom nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida como um lobo. (...) Não existe ser mais delicado que eu; sou um místico da delicadeza; sou um mártir da delicadeza; sou um monstro de delicadeza." (Vinícius de Moraes)


Ela sempre foi doce.

Uma noite, por um minuto, desejou profundamente que ele não existisse mais.
Desenvolveu armas químicas. Naufragou um navio.
E visualizou um desses vôos que simplesmente desaparecem no ar.

Sempre foi leve.
Mas precisava matá-lo.

E, desprovida de culpa...
... estava livre.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

mú.si.ca ...



sf ( lat musica) 1 Arte e técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido. 2 Composição musical. 3 Execução de qualquer peça musical. 4 Conjunto ou corporação de músicos. 5 Coleção de papéis ou livros em que estão escritas as composições musicais. 6 Qualquer conjunto de sons. 7 Som agradável; harmonia. 8 Gorjeio. 9 Suavidade, ternura, doçura." (Michaellis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa)


Ele... toca.
Ela canta e seu sorriso rege o tempo.

Ela... tonta.
Ele fala e sua alma abriga o inaudível.

Ele cala. Ela sabe.

Quanta.

sábado, 1 de agosto de 2009

INDEPENDENCE DAY...

"Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer... me libertei daquela vida vulgar que eu levava estando junto a você! Em tudo o que eu faço existe um porque... e eu sei que eu nasci, sei que nasci pra saber... saber o que?" ( Rita Lee)


Em primeiro lugar: o esse texto não é uma ode ao feminismo. E com isso posto às claras desde o ínicio, posso começar.

Ouvi um dia por aí, de um ilustre desconhecido: "Eu trabalho, pago minhas contas, tenho minha casa, uma diarista que limpa e cozinha... e uma namorada, ou seja, sexo garantido... pra que casar?". Essa, com certeza, foi uma colocação de um típico solteirão carioca. Conversa de bar, frase solta no meio da noite, que me fez pensar sobre o tema dessa postagem.

No início desse mês, resolvi comprar uma coisa que facilitaria muito a minha vida... o que é o que é? Pulsa forte, tem diversos níveis de intensidade, variedade de modelos e tamanhos, treme nas mãos durante seu uso e é laranja?

MINHA PRIMEIRA BALCK&DECKER! ( o que vcs pensavam que podia ser? rsrsrs...)

Olha, sinceramente, não lembro de quando ganhei meu primeiro sutién... mas o dia em que comprei minha primeira furadeira ficará para sempre gravado em minha memória! Eu já tinha uma caixa de ferramentas básicas para as "emergências do lar" - saí de casa há dez anos e desde então aprendi que era necessário ter sempre por perto uma chave de fenda, martelo e pregos, por exemplo - mas existe coisa mais libertadora do que querer pendurar uma prateleira em casa e não pecisar chamar ninguém pra fazer isso por você? Ok, existe sim... só que naquele momento foi assim que me senti: a mais livre das criaturas!

Sou fruto de uma infância maravilhosa. Tenho um pai que é meu melhor amigo, uma mãe que diz sempre que me criou pra "voar", uma madrinha que é realmente minha segunda mãe e uma irmã, que está do meu lado pro que der e vier. Ou seja, sempre tive o apoio da minha família para seguir cada sonho que eu tive ( investindo na arte, no amor... ou nos dois juntos) com a mais pura verdade do meu coração, mesmo sabendo que eu estava escolhendo andar por caminhos mais complicados e cheios de obstáculos. O objetivo final sempre foi minha independência. E essa palavra, com certeza, sempre foi a mais usada por mim desde criança. Lembro de dizer, ainda bem pequena : "quando eu fizer 18 anos vou sair de casa". Acho que quando me perguntavam "ei, menina, o que você quer ser quando crescer?", eu devia responder: "independente"! Hehehehehehehe...!

É óbvio que o tempo passa e a gente começa a perceber que vive de planos, não de sonhos. Eu só aprendi essa valiosa lição há pouquíssimo tempo... na verdade, ainda estou aprendendo. Resolvi fazer outro vestibular, por exemplo. Ter uma profissão complementar que me traga um pouco mais de estabilidade, até mesmo para poder viver com mais tranquilidade esse mundo de "sonhos" em que eu amo estar. Minhas aulas começam esse mês e, a partir daí, serão dois anos e meio numa dimensão completamente nova pra mim. E estou empolgadíssima!

Faço isso pensando em mim, no meu futuro, nos filhos que desejo ter, na saúde dos meus relacionamentos... sim! Porque esse discurso feminista de "sou independente... homens? bleeeerrrgh!" não é meu não!!!

Adoro minha caixa de ferramentas, minha nova furadeira, mas acho uma delícia me sentir "protegida" por braços mais fortes, mesmo sem precisar da proteção... deixá-lo pagar a conta inteira quando ele diz "deixa comigo", mesmo que eu possa pagar... ouvir aquela voz grave me trazendo pro eixo quando eu enlouqueço... pedir pra que ele abra o vinho... cozinhar, fazer o prato que ele mais gosta, ficar embaixo do edredon nas noites de frio vendo um bom filme e dormir "de conchinha".

Ouço muitas amigas reclamando o quanto é difícil ser "mulher" nos dias de hoje, pois ao mesmo tempo em que lutam por direitos iguais, sentem muita falta dos homens que tiram seus casacos para esquentá-las, abrem a porta do carro, etc etc etc... ahhhhh, gente, não é tão difícil não...

... hay que endurecer, pero sin perder la ternura JAMÁS! *

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* By Ernesto Che Guevara.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

FAXINA...


" Quebrei o seu prato, tranquei o meu quarto, bebi seu licor. Arrumei a sala. Já fiz tua mala ( pus no corredor). Eu limpei minha vida, te tirei do meu corpo, te tirei das entranhas! Fiz um tipo de aborto... e por fim nosso caso acabou - está morto. Jogue a cópia da chave por debaixo da porta, que é pra não ter motivos de pensar numa volta. Fique junto dos seus. Boa sorte. Adeus." (Ivan Lins)


Ela desfez aquele quadro, abriu seu quarto e nada bebeu. E quando a lua se apagou, entre lâminas e fogo, transformou o antigo perfume em cinzas - que levadas pelo vento, sumiram no céu de Botafogo.

Ainda assim, ela lembra. A cada dia menos... mas lembra.

E sabe que um dia, quando menos esperar, vai esquecer de lembrar de esquecer.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

DESIDERO ERGO SUM...


"Colada à tua boca a minha desordem.

O meu vasto querer.

O incompossível se fazendo ordem.

Colada à tua boca, mas descomedida

Árdua

Construtor de ilusões examino-te sôfrega

Como se fosses morrer colado à minha boca.

Como se fosse nascer

E tu fosses o dia magnânimo

Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer." (Hilda Hilst)


Amanhece.

Beijo. Corpo. Doce. Essência. Fome.

Gosto. Homem. Ibero. Junto.

Língua. Mar. Nudez. Olhar. Perigo.

Quero. Risada. Suor. Tentação.

Unicidade. Varanda.

Xale...

... e Zíper.

domingo, 7 de junho de 2009

REALITY MODE: ON...





"I want you to know that I'm happy for you. I wish nothing but the best for you both.


An older version of me... is she perverted like me? Would she go down on you in a theater? Does she speak eloquently? And would she have your baby? I'm sure she'd make a really excellent mother...


'Cause the love that you gave, that we made, wasn't able to make it enough for you to be open wide, no... and every time you speak her name, does she know how you told me you'd hold me
until you died? 'Til you died? But you're still alive.

And I'm here to remind you of the mess you left when you went away.
It's not fair to deny me of the cross I bear that you gave to me. You, you, you oughta know!

You seem very well, things look peaceful.
I'm not quite as well, I thought you should know.


Did you forget about me, Mr. Duplicity?


I hate to bug you in the middle of dinner, but it was a slap in the face how quickly I was replaced.
And are you thinking of me when you fuck her?

(...)

'Cause the joke that you laid in the bed, that was me and I'm not going to fade as soon as you close your eyes... and you know it. And everytime I scratch my nails down someone else's back, I hope you feel it... well, can you feel it?
" (You Oughta Know - Alanis Morissette)


Há muitos e muitos anos, num reino distante daqui, uma menina andava pelas montanhas quando, de repente, montado em seu cavalo branco, um jovem apareceu oferecendo-lhe uma rosa.

Ele disse estar só de passagem, pois morava em outro reino... conversaram por horas a fio... olhando-a nos olhos, ele contou sobre suas aventuras e desventuras... e ao falar dos seus sentimentos, as palavras pareciam brotar do coração. E então, após um beijo demorado e doce, ele partiu.

" É um príncipe!", ela pensou.

A menina resolveu cultivar aquela flor em seu jardim, no vale em que morava. Plantou-a com todo cuidado e a regava diariamente, ao mesmo tempo em que ele enviava belas mensagens, cartas apaixonantes e pequenos presentes... e a cada dia mais envolvida, vivia o sonho de ser uma princesa também.

Para tornar isso tudo mais real, ela decidiu viajar deixando tudo pra trás, levando consigo apenas a rosa... mas pra isso teria que pedir permissão à corte. Aconteceu, então, o inesperado. Segundo as leis de seu reino, ela não poderia partir sem antes cumprir algumas tarefas importantes. E isso poderia levar mais tempo do que o previsto anteriormente.

O tempo? Foi passando... as mensagens dele já não chegavam com tanta frequência, as cartas já não eram embebidas em seu perfume e os presentes, inexistentes. Aos poucos ela descobriu que ele era um simples plebeu, cheio de defeitos, mas isso não tinha a menor importância. Mesmo a tratando estranhamente, oscilando entre a indiferença e a paixão, ele afirmava a querer perto dele. E ela, que também não era perfeita, queria apenas estar ao seu lado e sonhava em construir, tijolo por tijolo, um castelo pros dois. Estava tão determinada a cumprir seus deveres antes de partir, que não percebeu em que ponto tudo se perdeu... pois ele não soube esperá-la... e começou a distribuir rosas por todos os reinos em que passava.

De repente, a menina virou mulher. Acordou e estava assim: disposta a encarar a realidade dos fatos, cansada de se machucar à toa, certa do que queria fazer da vida. E deixou a rosa de lado, mas a regava aos poucos, caso o destino resolvesse diminuir as distâncias e comprovasse aquilo que ela, no fundo, ainda acreditava ser a verdade do seu coração.

Um belo dia, o jovem, numa de suas viagens, resolveu procurá-la. Encontraram-se.

Ele disse estar só de passagem, pois ainda morava em outro reino - apesar de não saber quanto tempo isso ainda duraria. Conversaram por horas a fio... olhando-a nos olhos, ele contou sobre seus medos e desejos... segurando suas mãos, ele disse que as outras rosas que distribuiu pelo caminho já não tinham a menor importância... e ao falar dos seus sentimentos, as palavras pareciam brotar do coração.

Então... amaram-se muito! Reconheceram seus cheiros, seus corpos, suas almas... e após um beijo demorado e doce, ele disse estar disposto a tornar esse amor possível. Pediu que o esperasse, pois
precisava partir para as montanhas, mas regressaria ao vale em breve.

Ela? Acreditou.

Três dias depois, ele voltou. Não a procurou. Ela então, imaginando que ele estivesse perdido, foi ao seu encontro.

Ao encontrá-lo, uma surpresa: em tão pouco tempo, ele já não era o mesmo. Sua alma não estava mais em seus olhos. E, friamente, ele disse que não a queria mais por perto.

Ela não entendia.

" Acontece", ele disse. Afirmou ter procurado pelo caminho uma princesa para a qual havia entregado uma de suas rosas... e que essa princesa o recebeu em seu castelo, sorrindo muito... e tinha até uma carruagem! Por isso, ele decidiu que se mudaria para o seu reino, pois queria mesmo era tornar a vida mais fácil, inventando uma nova paixão por alguém que já tinha o que ele tanto buscava na vida e que, ainda por cima, acreditava que ele era um príncipe.

Ela o deixou ir... não sem antes fazê-lo enxergar que, ao abandoná-la, estava jogando uma jóia rara num precipício sem fim. Com isso, lembrou que não era mais uma menina e sim, uma mulher cheia de planos e sonhos a realizar. Portanto buscou esquecê-lo, apagá-lo da sua vida.

E o plebeu virou sapo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

THE END...


"Amiga-Minha, com beleza e talento além fronteira, solicita caso eu tenha, texto sobre o amor ou um amor impossível.

Pensei...pensei...pensei e desisti, é difícil, não sou capaz pois não acredito.

Creio na incapacidade de usufruir o amor, o que é completamente diferente.

No primeiro caso ele já existe, então não acontece a possibilidade de não poder ser. Já no segundo; o de levar adiante este sentimento, é que começa a complicar. E ele não tem nada com isso.

Amor não é Paixão, que precisa ser alimentada, regada, e mesmo assim as vezes míngua, por excesso ou escassez. Ele esta ali presente, não importa o que aconteça.


O que existe é a dificuldade de exprimirmos esse sentimento e desfruta-lo,
seja por regras sociais ridículas, por covardia ou por temor em perder regalias.


P.S: Amor é uma coisa de e entre humanos.
É um sentimento baseado na satisfação do ego.
Do resto; adoramos, gostamos e até veneramos.
O uso desregrado da palavra acabou por à banalizar." (Cariuá Tatarana)


Hoje recebi de uma "grande-amiga-quase-irmã" esse texto, escrito com maestria por esse suposto "Cariuá". Logo hoje... que estou refletindo profundamente sobre essa temática: o Amor ( sim... com "A" em "caps lock" mesmo!).


" Amores são sempre possíveis", já dizia Moska.


Quero escrever hoje o que eu aprendi sobre o isso.

Tô inspirada.

Coisas da vida.


AMOR.


É um sentimento incompatível com o egoísmo. É a vontade de construir junto, de viver todos os momentos bons que ele possa ofecerecer. É o respeito, a responsabilidade, a parceria, o cuidado, o querer... e quando ele existe não há porque ter dor.


" Amor impossível" não é amor... é apego. Amor vem a dois. Eu amo. Você ama. Ponto. E juntos viveremos felizes para sempre, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... compartilhando. Chamar a impossibilidade disso de "amor" é menosprezar a importância que ele tem. É se apegar ao que poderia ter sido caso as circunstâncias não fossem tão desfavoráveis. É ser fraco o bastante pra não conseguir viver com intensidade tudo de bom que um amor real pode trazer.


Fico me perguntando como algumas pessoas podem banalizar tanto o " Eu te amo"... o " Eu te amo MUITO". São frases que pra serem ditas requerem uma certeza absurda do que se sente, do que se quer. Senão é leviano. É irresponsável. É brincar com o sentimento alheio. É mentir.


Eu amei. Muito. E acreditei que fosse pra uma vida inteira. Acreditei no que ouvi, no que senti... acreditei na possibilidade do "nós"... o que, de repente, muito de repente (de repente MESMO!) não existe mais.


Eu fui capaz de amar alguém com todas as suas qualidades e os seus defeitos, da forma mais plena possível. Mas esse AMOR é MEU. E tomar conhecimento disso me fez ver que valeu a pena.


Vale a pena amar. Não pelo outro... por mim. Porque eu me amo também. Porque eu soube usufruir tudo de bom que esse sentimento me trouxe. Porque eu amo poder amar... e se isso está em mim, posso acreditar que existe por aí alguém que mereça muito receber o que tenho pra dar.


Não tenho pressa.


Sigo o meu caminho... com amor.


E fim.


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ps1: Cariuá, indiozinho, vc é sábio...

ps2: Cris... amo você, amiga-irmã-guerreira-meuombropratodasashoras!!!!

terça-feira, 19 de maio de 2009

AWARENESS


"Eu faço minhas coisas e você faz as suas coisas. Não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas e você não está neste mundo para satisfazer as minhas. Você é você, e eu sou eu. E se por acaso nos encontrarmos será maravilhoso. E se não, não há nada para fazer.

Se eu faço unicamente o meu, e você o teu, corremos o risco de perder um ao outro e a nós mesmos. Não estou neste mundo para preencher tuas expectativas... mas estou neste mundo para me confirmar em ti. Como ser humano único para ser confirmado por ti. Somos plenamente nós mesmos, somente em relação um ao outro.

Eu não te encontro por acaso, te encontro mediante uma vida, atenta, um lugar onde as coisas acontecem passivamente. Posso e devo agir, intencionalmente, para que aconteçam. Devo começar comigo mesma a verdade... mas não devo terminar aí.

A verdade começa a dois
!"
(F.Pearls)

Eu e você. Aqui e agora.
A vida composta por três tempos.
Eu cresço. Você cresce.
E o "NÓS"... acontece.

Olhos nos olhos. Aqui e agora.
O piano tocado a quatro mãos.
Eu sinto. Você sente.
E o "NÓS"... urgente.

Aqui e agora.
O presente é a única realidade possível.

Eu amo... você também.

"NÓS".

Amém.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

DE OUTRO TEMPO...

"Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar. Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar. E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar. E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar...

E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar... com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar! Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar e cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar!!!

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou... e foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou... e foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais... que o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz."
(Chico Buarque - Valsinha)


Ela é de um tempo que não este agora. Vem de um passado remoto e o oposto é o que a atrai. Dentro dos seus corpetes, vagueia por entre olhares - milhares! - em busca do tremor involuntário... e dos muitos segundos contados até o primeiro toque.

" Mão fria, coração quente" - ele disse.

Ela acreditou.

Ele soube segurá-la. Ela buscou aquecê-lo.
Descobriram-se confortados em suas solidões.

Aos poucos, ela percebeu que as horas após o encontro não careciam de conta alguma... assim viraram meses... e era o prazer. Era o sorriso. Era a transparência da clareza do que sentia. Conheceu, por fim, aquele tal de " Cupido", sobre o qual tantos poetas já haviam falado.

E juntos criaram um novo vocabulário e inventaram novas canções, novos passos e uma nova dança. Decoraram a sala imaginária, com pilastras pintadas pelos dois. Escolheram desde a louça do banheiro até o nome que dariam aos filhos. Sonharam datas.

Com mãos e pés mais aquecidos, ele se sentiu seguro para partir, esfriando aos poucos o coração. O dele.

Ela mantinha o seu coração guardado dentro de um vulcão ainda ativo, enquanto seus pés congelavam. Os dela.

O tempo passou. O calendário mudou.

Ele quebrou as taças usadas pelos dois. Ela se cortou. Ele buscou novas musas. Ela, ainda ferida, reaqueceu os próprios pés e buscou novos tremores.

Sem saber, buscavam-se.

O mundo girava cada vez mais rápido.

Ele ficou tonto com as voltas que o mundo deu e pensou em regressar, tendo o coração ainda gélido, porém novamente pulsante, nas mãos. Estava confuso, pois seus pés esfriavam a cada dia... e ainda não havia escolhido o local exato para deixar o coração bater livremente.

Ela estava satisfeita com as voltas que dava no mundo... e queria mais. Desejava viver o roteiro de um romance com "final feliz" (desses que depois de muito sofrimento o mocinho percebe que não pode viver sem a mocinha e decide atravessar oceanos, vales e montanhas só para beijá-la e dizer que o "pra sempre" é feito de "agoras").

Mas ela sabia - e ele também - que a vida não é um comercial de margarina.

Ele ouviu as batidas do relógio e tomou seu chá.
Ela ouviu o apito do trem e apertou seu espartilho.

E um dia, sem mais pensar... sem pesar... o início aconteceu.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

AWAKE...


"Foi uma ilusão, uma insensatez...
Há que pôr o chão nos pés.
Era como um trem que anda sem passar. Era um tempo sem lugar... mas foi um sonho bom de sonhar porque me sonhava com você. E então seu canto veio me acordar.

Era uma ilusão no interior de uma outra ilusão maior... mas você foi pro sol... noite me envolveu num silêncio igual ao seu. E então seu canto veio me acordar.

Tudo é uma ilusão. Os que estão aqui, esses não estão em si. Do universo, o além, faunos ou mortais vão restar mais nem sinais. Tudo o que se vê ( tudo o que se viu, tudo o que se foi...) é o sonho de algum pobre sonhador: todas as estrelas, todas as misérias, todos os desejos e a canção do meu amor.

Última ilusão. Amanhece já. Vai-se abrir o chão, quiçá! A ilusão se esvai... é uma cena só... e a cortina cai sem dó! Vai cessar o som, a sessão já foi.

Despertar é bom... mas dói.

Pedras vão rolar, choram serviçais... vão se espatifar vitrais.
Tomba o refletor. Ardem camarins. Cai no bastidor a atriz. Descarrila o trem, o pilar cedeu... vai morrer meu bem... e eu.

Num jardim fugaz de espirais sem fim eu corria atrás de mim.
O homem se distrai, dorme em boa fé... sua sombra sai a pé.

Mas foi uma ilusão.
Uma insensatez.
Há que pôr o chão nos pés.
" ( Edu Lobo / Chico Buarque)


A música a insistir no modo "repeat".
A cabeça a girar e meu mundo a rodar, pós-queda.
Será que é isso mesmo? O "pra sempre"... sempre acaba?
Ai ai... ( suspiro então).

Eu e essas minhas trilhas sonoras
!


terça-feira, 31 de março de 2009

OUTONO AUSTRAL...



" Há um lugar para ser feliz além de abril em Paris. Outono... outono no Rio..." (Ed Motta / Ronaldo Bastos)


A previsão ainda é de chuva... as águas que fecham o verão não se contentam mais com o mês de março: resolveram inundar o início de abril também.

Mas isso não tem importância. É OUTONO!

Há muitos anos descobri o prazer de celebrar as estações do ano, os solstícios e equinócios... a beleza de perceber os ciclos da natureza - e, com isso, os meus também. Mas como desde o fim de 2007 não parei por muito tempo num lugar só, meus ciclos acabaram se fundindo, tornando tudo um pouco confuso pra mim.

Três meses era meu limite de tempo em cada cidade... em cada país. Não, eu não estava fugindo de nada, nem de ninguém... talvez um pouco de mim mesma, mas isso não vem ao caso agora. Um dia escreverei um post inteiro sobre esse assunto.

Vamos ao que interessa: O OUTONO!

Esse equinócio, segundo a tradição pagã, é o momento de celebrar, agradecer, colher o que plantamos na primavera; momento de juntar forças e suprimentos para o inverno que virá a seguir; hora de aprender com as folhas que caem e sinalizam que mesmo que tenhamos que abrir mão de algumas coisas do passado, isso será extremamente necessário para adubarmos a vida, tornando nosso solo mais fértil.

Sair do verão, cair bruscamente no inverno e passar direto pra primavera, me fez esquecer completamente desse momento, ano passado. E pra falar a verdade, acho que só lembrei disso agora por uma razão: porque muito melhor do que o outono... é o OUTONO NO RIO!

... e não existe outro lugar em que eu quisesse estar tanto nesse momento.

Como já disse anteriormente, passei o verão em Salvador e retornei ao Rio no início do mês, animada com as possibilidades mas ainda sem saber se era aqui mesmo que eu queria estabelecer minha base.

O meu "dia do fico" foi determinado quando voltei a me apaixonar por essa cidade, ou seja, no momento em que reconheci que o céu azul estava com mais tons de magenta... a luz difusa do sol ( bem típica dessa época do ano) começava a atravessar a bruma que corta as montanhas ao redor desse vale mágico, no meio de uma tarde comum, favorecendo qualquer fotografia que meus olhos pudessem captar... enfim! Tenho uma sequência bem rica de detalhes, e já "salvei" na minha memória.

As garças em seus mergulhos na Lagoa Rodrigo de Freitas... o Corcovado sob as nuvens e o Cristo Redentor " flutuando" sobre ele... o contorno da luz no Morro Dois Irmãos e logo atrás, a Pedra da Gávea... ai, ai... qualquer engarrafamento fica mais suave nessa época do ano: a cidade toda está mais bonita!

Só lamento não poder me perder completamente nesses pensamentos, principalmente pelo fato disso aqui quase ter se transformado na "faixa de gaza" essa semana. É uma pena ter que estar sempre em estado de alerta, por não saber a causa real dos engarrafamentos. Por sorte, nesse dia, tudo o que atrapalhava o motorista carioca era um sinal quebrado numa das avenidas mais movimentadas da Zona Sul.

Ainda assim, a gente acaba administrando essas coisas de formas sábias - no mínimo consultando as atualizações do * G1 no Twitter * antes de sair de casa. Posso arriscar dizer que hoje me sinto a mais carioca das baianas e, por isso, sigo cantando: "... o Rio de Janeiro continua lindo... o Rio de Janeiro continua sendo o Rio de Janeiro, fevereiro e março..."

E que assim seja!

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* Twitter:
é uma rede social e servidor para microblogging que permite que os usuários enviem atualizações pessoais contendo apenas texto em menos de 140 caracteres.As atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las.

* G1: é um portal de notícias mantido pela Globo.com e sob orientação da Central Globo de Jornalismo.

* Sim... eu estou no Twitter e "sigo" o G1!

:)


quarta-feira, 25 de março de 2009

MIL´ÁGRIMAS...


" Não tire da minha mão esse copo, não pense em mim quando eu calo de dor... olha meus olhos repletos de ânsia e de amor. Não se perturbe nem fique à vontade, tira do corpo essa roupa e maldade... venha de manso ouvir o que eu tenho a contar. Não é muito nem pouco, eu diria. Não é pra rir mas nem sério seria. É só uma gota de sangue em forma verbal.

Deixa eu sentir muito além do ciúme, deixa eu beber teu perfume... embriagar!

A razão porque não volto atrás: quero você mais e mais que um dia.


Não tire da minha boca esse beijo. Nunca confunda carinho e desejo. Beba comigo a gota de sangue final." ( Angela Rô Rô)


Existe um segredo na caixa vermelha.
Cheiro de rosas. Pétalas secas.
Sal de mil´ágrimas.
Bordô em madeira de lei, guardando o toque da noite.
O tento: a fera que a estrela ilumina.
Sussurros em conchas no fundo do mar.

É meu o segredo da caixa vermelha.
Sons de trovões. Eco e Narciso.
Luz de mil´ágrimas.
O bobo em castelo sem rei, gerando o riso da noite.
O tempo: a espera do beijo e a neblina.
E bruxas gritando seu nome ao luar.

Jamais abrirei essa caixa vermelha!
Por todos os deuses do mundo
Por todo o amor mais profundo
Por tudo o que há de sagrado
Por tudo o que há de segredo.

Por você...
... e por mim também.

segunda-feira, 16 de março de 2009

CUMPLICIDADE...


"Abre os teus armários, eu estou a te esperar para ver deitar o sol sobre os teus braços castos. Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar e fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar...
canta o teu encanto que é pra me encantar... canta para mim, qualquer coisa assim sobre você!!! Que explique a minha paz... tristeza nunca mais!

Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão,
nessa espera o mundo gira em linhas tortas. Abre essa janela, a primavera quer entrar pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar...
canto e toco um tanto que é pra te encantar... canto para mim qualquer coisa assim sobre você!!! Que explique a minha paz... tristeza nunca mais...!!!
" (Marcelo Camelo)

Hoje, madrugada cumum do ano presente.


Prezado viajante,

Venho através destas linhas frias trazer notícias um pouco mais quentes. Vou te contar uma história que ouvi recentemente de uma velha feiticeira que habita a minha vila. Por tratar-se de um caso verídico, peço sigilo absoluto sobre o ocorrido. Sei que entenderás.


"Uma mulher e um homem estavam a navegar por mares perigosos, sobreviveram às fortes tormentas e encontraram-se ao acaso, frente a frente, na calmaria de uma primavera.

Latitude e longitude inexistentes, desconheciam em que ponto daquele imenso oceano estavam. A única coisa que eles sabiam era sobre o domínio das próprias embarcações e, por isso, não se arriscavam. Permaneciam trancados com as mãos no próprio leme, fitando-se um ao outro através do vidro reforçado de suas cabines.

Com o passar dos dias, estabeleceram um tipo de comunicação bem particular, uma linguagem única, reconhecendo-se em pequenos gestos, olhares e sorrisos. Criaram novos códigos e assim conviviam, viciados em si mesmos.

E era o tempo passando - o calor do verão chegando.
E era fome. Era a sede. Era o medo dos tubarões que eles nunca tinham visto.

Decidiram, através de um simples olhar, que o melhor a ser feito seria tentar reencontrar o ponto de onde haviam partido, cada qual no seu barco, pois assim sobreviveriam.

Seguiram então, firmes suas rotas tortas... em direção às terras do nunca mais."


Aquela senhora ainda tinha um pouco mais a dizer.

Ao olhar as minhas mãos, falou que em meu caminho surgiria um menino a me chamar, um moço a me tocar e um homem a me olhar, como um felídeo mira a sua presa; que os três se fundiriam em um só, a virar um titã. Este, então, envolto numa bruma com aroma de menta, me embriagaria com as águas claras da Rússia.

Fiquei inicialmente assustada e ela, percebendo meu espanto, completou dizendo que eu não me preocupasse... disse que eu saberia colocar bem os pingos nos seus "is" e, por vezes, também o deixaria sem pernas e palavras. E que sendo assim, assistiríamos o sol nascer a partir das músicas que cantaríamos, boca-a-boca, libertando-nos de nossas próprias armaduras.

Meu caro... sei que ainda temos muitos mares a navegar, mas preciso te dizer uma coisa: sem reconhecer seu cheiro, a partir desse instante, EU ME PROÍBO DE SENTIR A SUA FALTA - e ao mesmo tempo, só desejo que essa distância jamais nos leve para as "terras do nunca mais".

Agora, ao te escrever, compartilho essas confidências e faço de ti meu cúmplice.

Um beijo meu.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O TEMPLO DE BASTET...




"Vamos começar
colocando um ponto final ( pelo menos já é um sinal de que tudo na vida tem fim).

Vamos acordar... hoje tem um sol diferente no céu, gargalhando no seu carrossel, gritando 'nada é tão triste assim!'...

É tudo novo de novo! Vamos nos jogar onde já caímos! Tudo novo de novo! Vamos mergulhar do alto onde subimos!!! Vamos celebrar nossa própria maneira de ser - essa luz que acabou de nascer quando aquela de trás apagou. E vamos terminar inventando uma nova canção, nem que seja uma outra versão pra tentar entender que acabou..."
( Moska)

"Era uma vez..." - não. A partir deste momento, começarei todas as minhas histórias pelo presente... ou como diria o sábio Anitelli: " de ontem em diante serei o que sou no instante agora". Por isso...

...É UMA VEZ!

É uma vez essa tempestade que invade a sala da nova casa. Logo vem a lua cheia no céu, exercendo sua força sobre as marés, os felinos e - como não poderia deixar de ser - sobre mim também.

Ciclos completos e intuição à flor da pele.
Cada vez mais atenta, sinto que estou no lugar certo... na hora certa. Clarividência. Coincidências.

Após três meses, numa terça-feira - 03/03/09 - às 3 da tarde, levanto um vôo bem alto. Algumas horas depois, a imagem de um homem no topo de uma montanha, a esperar por mim de braços abertos. Do aeroporto pra casa, os termômetros da cidade confirmam o calor 30°C. Ao parar, o taxista confirma o valor da corrida, com o desconto prometido pela empresa: " deu trinta e três e trinta e três, moça." ( R$ 33,33!!!!! Ainda bem que tenho uma amiga como testemunha...!)

Faço questão de entrar com o pé direito no meu novo lar... e sou imediatamente recebida pelos representantes de Bastet* nesse templo: Serafim, Dolores e Naomi. Sim... são três.

Tríades à parte, já
posso sentir que serei muito feliz enquanto estiver aqui. Começo a decifrar aos poucos o comportamento dos felinos: a inocência infantil do doce Serafim, o cio enlouquecedor da desconfiada Dolores e a frieza antipática da intocável Naomi. E observando-os, surpreendo-me ao realmente gostar dessa convivência diária.

De fato, me dou muito bem com animais. São sempre uma ótima companhia, mesmo que não entendam muito bem porque estão ali. Da falecida arara "Lala" de Friburgo aos olhos violetas da gata "Ingrid" da Rua dos Oitis. Do vira-lata "Bob" da minha infância à esquila "Maria" da terra do Tio Sam.


Nunca neguei minha preferência pelos cães... talvez por parecerem mais companheiros, menos "egoístas". Aprendem rápido e associam algumas palavras aos limites ou privilégios que eles possam vir a ter. Na verdade, acredito que eles possam suprir melhor a carência humana, qdo parecem retornar o amor que dedicamos ao cuidarmos deles.

Ao mesmo tempo, aprendi a respeitar e entender essa tal individualidade dos gatos.

Naomi, a gata negra, é anti-social ao extremo. Não deixa que ninguém a toque. Não pede carinho. Não mia ( ao menos, nunca vi). Então a deixo no canto dela. De vez em quando ela se aproxima e deita mais perto de mim. E hj ela ficou parada na porta da cozinha me olhando, até que entendi que o que ela queria era que eu servisse seu jantar. Hahahahaha... pois é... psicologia felina... rsrss!

Dolores, como eu disse anteriormente, está no cio. Enlouquecida, rola pelo chão... anda languidamente em direção ao Serafim, com um objetivo explícito em seu caminhar: acasalar. Simples assim. Daí, ela emite grunhidos estranhíssimos e de vez em quando surta, correndo de um lado pro outro da casa, aparentemente sem motivo algum. Tadinha da Dolores... ela só quer "dar" e ficar "de conchinha" depois... só que ela não entende "lhufas" do que tá sentindo!
Observando-a, divirto-me pensando que se o homem veio do macaco, a mulher é apenas uma "gata que pensa"... ( ok, ok... algumas não pensam, eu sei!) Haahahaha...!!! Ai, ai... como é bom ser humana nessas horas... ou não!!! rsrs...

E, por fim... Serafim! Uma criança... deve ter no máximo 5 ou 6 meses e não entende o que Dolores quer. Pra ele é tudo brincadeira. Só que de vez em quando, essa brincadeira fica séria... rsrss... então ele se assusta com a reação produzida pela mocinha "P&B" e fica parado, olhando pra ela, com uma cara de " o que foi que eu te fiz?". Hahahaha... será que daqui a dois meses teremos novos gatinhos por aqui? Esse futuro papai, o pequeno Serafim, é o mais companheiro dos três: me recebe com festa quando chego em casa, me segue, sobe no meu colo... e quando sento pra escrever de madrugada, ele monopoliza o teclado e toma o lugar do "mouse" na mesa.

Pois é... estar aqui, no "Templo de Bastet", me faz querer viver sob um céu mais azul e ter uma vida mais leve. Me faz pensar sobre quem sou eu... e estar mais atenta sobre quem eu quero que esteja ao meu lado enquanto construo meu caminho. Os pré-requisitos básicos para fazer parte dessa "lista vip" são: respeito, confiança e parceria. Ah! Tem que ter bom humor tb... pq " nem só de pão vive o homem", né?

Vou brincar, dançar, cantar... e fazer da minha vida um banquete para ser celebrado com amor, felicidade e prazer!!!!

Diariamente.

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* PS: Bastet é a "Deusa gata" de Bubastis ( cidade do Delta do Nilo - Antigo Egito). Deusa da música e da dança, protetora dos gatos, guardiã das casas e defensora dos seus fihos.



terça-feira, 3 de março de 2009

TUDO NOVO DE NOVO



"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.


Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessario, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.


Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu pra viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?


Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na sua vida, serem subitamente transformadas em pó.


Mas tal atitude será um desgaste imenso pra todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.


Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.


Por isso é tão importante ( por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é manifestação do invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará envenenando e nada mais.


Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data pra começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.


Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era e transforme-se em quem é." ( Paulo Coelho)



Espero a chegada da nova era.   

Respiro... enfim.

Não quero mais aquela quimera.

Celebro... por mim.

Leveza. Alvorada. Desejo. Música. Encontro. Alívio. Espelho.

A nova casa. O novo quarto. De novo.

O amanhã a mim pertence... hoje.

Fidelidade. 

Felicidade.

Fim.